A “terra das águas”. É assim que é chamado o país com a maior quantidade da mais preciosa fonte de vida que temos: a água. Mas também é um dos que mais pratica o uso irracional deste recurso.
Em pleno século XXI, era de tantas inovações e avanços tecnológicos, embora a sociedade tenha se dado conta de que o Brasil é um país com água em abundância, não percebeu ainda o sério risco que corremos. Fazendo um uso muitas vezes abusivo, podemos ficar sem água.
De acordo com dados do Portal São Francisco, de toda a água disponível na Terra, 97,6% está nos oceanos. Os 2,4% restantes, divididos entre rios, geleiras e lagos.
O Brasil é o país com a maior reserva de água doce do planeta, cerca de 12%. A bacia fluvial amazônica é a maior do mundo. Porém, segundo a Organização não-governamental Greenpeace, o país também é um dos que mais desperdiça os recursos hídricos.
Brasil, Rússia e Canadá são as nações que basicamente “controlam” as reservas de água potável mundiais. Na Rússia e no Canadá, a maior parte dessa água fica concentrada nas geleiras.
Os países que mais sofrem com a falta de água estão no Oriente Médio e na África. No Brasil, o maior problema de escassez ainda é no Nordeste, aonde o sistema de pluviosidade é muito complexo.

“Detemos mais de 11% da água doce do planeta. É uma dádiva para um território com menos de 3% da população”, diz Matthew Shirts, redator chefe da National Geographic Brasil, em uma edição especial da revista sobre os recursos hídricos do Brasil.
O problema é que, todos os dias, milhões e milhões de litros de água são ‘jogados fora’; não estamos usando a água, mas abusando: como naqueles banhos de 15 minutos ou mais (lá se vão pelo ralo cerca de 135 litros). Ao sair do banho um minuto antes do normal, por exemplo, podemos economizar até 6 litros de água. De acordo com dados da Superinteressante, se uma cidade de 2 milhões de habitantes fizesse isso, conseguiriam poupar até 6 milhões de litros (mais de duas piscinas olímpicas).
Uma torneira pingando durante um dia inteiro… podem gastar em média 46 litros de água. Em um ano, esse número soma 16 mil litros, o que representaria cerca de 64 mil copos de água (desses de requeijão).
Além do nosso uso normal diário (preparação de alimentos, limpeza cotidiana) no qual já utilizamos uma boa quantia de água, ainda gastamos com outros caprichos, que podem nos custar caro, muito além da conta de água no fim do mês.
Enquanto esbanjamos boa parte da água, outros seres humanos, a fauna e flora morrem pela falta dela. Além da escassez temos o problema do comprometimento da qualidade da água causado pelos despejos de esgotos, resíduos químicos e a poluição em geral, até com dejetos maiores; que causam doenças e vitimam principalmente crianças.
Segundo dados estatísticos da ONU (Organização das Nações Unidas), mais de 1 bilhão de pessoas praticamente não tem acesso à água doce.
A partir destes dados e na situação em que o planeta se encontra, é possível que a próxima guerra mundial seja pela água, e não pelo petróleo.

“Além da poluição biológica por microrganismos existe a poluição por derivados de pet, pneus, até televisão já achamos dentro do rio; são materiais não biodegradáveis que não se decompõe dentro do manancial”, diz Claudir Alves, da Corsan de Passo Fundo.
Passo Fundo tem três estações de tratamento, ETA 1, 2 e 3. Cerca de 40% da água na cidade vem da barragem da Fazenda, que é tratada na ETA 3, e o restante vem do rio Passo Fundo e do arroio Miranda, tratados na ETA 1e 2.
“Estamos com problemas nas bacias hidrográficas em todo o país e no mundo, devido à poluição relacionada ao esgoto sanitário e aos efluentes industriais; isso é o que está provocando a degradação do nosso Rio Passo Fundo, por exemplo”, relata o professor de Engenharia Ambiental da Universidade de Passo Fundo, Eduardo Pavan Korf.
Diariamente aqui em Passo Fundo, a Corsan trata 55 mil metros cúbicos de água por dia (55 milhões de litros), então o cálculo do consumo seria em torno de 280 litros por pessoa -por dia (uma mangueira aberta durante 15 minutos pode gastar esses 280 litros de água). Porém, a ONU recomenda um consumo (gasto) diário de 200 litros como sendo o ideal.
“Mas, devemos considerar também, que deste total que a Corsan disponibiliza, muitas vezes por vazamentos, se perde aproximadamente 40 % no próprio sistema ou não é cobrado do usuário; para detectar se há vazamentos em algum ponto da cidade, é feita uma pesquisa através de equipamentos eletrônicos, uma espécie de mapeamento; e também os consumidores comunicam quando há um vazamento visível”, acrescenta Alves. Ele ainda lembra que você não paga pela água que consome, mas pelo serviço prestado pela Corsan.

CURIOSIDADES:
– Cada milímetro de chuva corresponde a um litro de água por metro quadrado. Por exemplo, uma chuva de 30 mm, significa que caíram 30 litros de água por metro quadrado;
– Nas proximidades do pico do Marumbi, no Paraná, está o recorde nacional de precipitações: mais de 5.000 mm/ano. Já em locais com Picuí, na Paraíba, chove menos de 300 mm/ano.
– O dióxido de carbono que emitimos na atmosfera aumenta a acidez da água dos oceanos, o que acaba prejudicando o equilíbrio da biodiversidade marinha.
