Poucos períodos curtos foram tão retratados quando o velho oeste. Esse período pós-guerra da secessão durou entre 1869 a 1889 nos Estados Unidos, quando colonizadores ainda brigavam com os índios nas planícies e pradarias da região. Imortalizado no cinema por verdadeiras lendas como John Ford, Anthony Mann, John Houston, Sam Peckimpah e Sergio Leone, a mística de uma terra sem leis povoada por homens violentos ultrapassou a barreira das telas. Este ano o gênero pintou um novo capítulo nos games, e pintou com vermelho-sangue.
Depois de mudar o cenário dos games com o polêmico GTA, a Rockstar esculhamba tudo novamente com Red Dead Redemption (RDR). O game foi precedido por Red Dead Revolver (2005, PS2 e Xbox), mas a softhouse esperou a hora certa para retomar a temática. A receita é praticamente a mesma: ambientado em um mundo aberto, o jogador tem liberdade para fazer o que quiser. Diga-se de passagem, nem mesmo em GTA um mundo aberto fora tão realista e bonito. Em certas horas, você para o jogo e fica apenas contemplando o pôr-do-sol nas pradarias. Já que na maioria do game movimenta-se usando o cavalo, as viagens de uma cidade para outra podem demorar um pouco, o que ajuda na apreciação visual de RDR. O protagonista é John Marston, um ex-fora-da-lei que retorna a ativa, agora do lado do governo americano. Sua missão é exterminar um criminoso e antigo conhecido seu, Bill Williamson (trama tipicamente de western).
Uma das coisas mais legais é vivenciar um pouco do cotidiano dessa época. Você tem que fazer rondas noturnas, eliminar os coelhos e coiotes das plantações, resgatar o rebanho de vacas, laçar cavalos selvagens até dirigir as charretes até a cidade mais próxima buscando mantimentos. A recriação das cidades e suas áreas periféricas ficaram perfeitas, desde o Saloon, estações de trem até a delegacia do xerife. Os minigames incluem clássicos como Poker, Blackjack, jogo da ferradura e mais alguns. No quesito armas, revólveres, rifles e escopetas das tradicionais marcas ianques, como Winchester e Smith & Wesson. Porém, em meio a batalhas e tiroteios, o sistema de seleção de armas pode atrapalhar um pouco a fluidez da mecânica de jogo. Seu único defeito nos gráficos são alguns bugs escancarados, mas nada que diminua o brilho e a qualidade do conjunto da obra.
A bagagem cultural das histórias, mitos e toda a mística que envolve o Velho Oeste fazem de RDR um fortíssimo candidato a jogo do ano. O seu principal atrativo é a recriação de uma época que povoa, além do imaginário, a cultura norte-americana. Para amantes do faroeste, RDR é indiscutivelmente obrigatório. Visto que leva bastante tempo para terminá-lo completamente, o game se torna um investimento de alta valia. Se os grandes mestres do western, como John Ford e Sergio Leone, produzissem jogos eletrônicos ao invés de filmes, o resultado seria este. A redenção é, de fato, da cor vermelho-sangue.
RED DEAD REDEMPTION
Xbox 360 e PS3PRÓS
– Visual bucólico e realista do oeste norte-americano
– Minigames e histórias paralelas interessantes e divertidas
– Já laçou cavalos selvagens?CONTRAS
– A seleção de armas pode atrapalhar certas horas
– Bugs


