A logística e seus desafios na região Norte do RS

Quando se trata em falar do papel da logística a definição que mais aparece diz respeito ao conjunto de meios e métodos que vão permitir a organização de uma empresa ou serviço.  Esse setor é fundamental e como explica a professora do curso de Logística da Universidade de Passo Fundo, Valquiria Paza, está ali para justamente ser “um otimizador de recursos relacionados a todos os processos operacionais dentro da empresa. É preciso ter um planejamento bem elaborado, seja com relação há quanto tempo, capacidade de armazenamento, orçamento ou faturamento”, explica Paza.

Quando não há esse planejamento, ou ele não é feito de forma clara e concisa, começam a surgir deficiências que prejudicam vários setores. Na área de transporte isso se torna ainda mais evidente, já que segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT), os impactos de uma falta de planejamento e de infraestrutura adequada podem ocasionar aumentos nos prazos de entregas de produtos, frete e no tempo de viagem, além de trazer mais riscos para a sociedade. No Brasil, a CNT estimou que em 2014, os custos de transporte correspondiam a 59,8% dos gastos logísticos totais, os quais representavam em média 11% do nosso PIB. De acordo com a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), no estado o transporte de grãos teve um aumento de 26% em comparação aos meses março de 2016 até março deste ano. Para a Federação esses números demonstram a necessidade uma diversificação nas formas de transporte, sendo preciso criar condições para o setor voltar a usar dos meios ferroviários e hidroviários para escoar a safra.

Ainda segundo a professora, estamos voltados a ligar a logística como sendo parte apenas da movimentação e transporte em uma organização. Mas, é preciso levar em consideração que esse setor está intrínseco em toda a empresa, pois ela é uma área muito abrangente. Sendo assim, a característica mais importante dela é o planejamento.

As dificuldades da logística regional

A BR-153 ligas as cidades de Marabá (PA) ao município de Aceguá (RS), com no total 4.355 quilômetros de extensão.

No cenário regional, as demandas e dificuldades encontradas na logística são grandes. Prova disso é o número de demandas do setor. De acordo com a presidente do Conselho Regional de Desenvolvimento da Região da Produção (Corede Produção), Munira Awad, na pauta de reivindicações do Conselho, há cerca de 90 projetos relacionados às demandas da sociedade em relação à infraestrutura e logística, a maioria problemas ligados às rodovias da região.

Para ela, um dos pontos críticos está no trecho da BR-153, a Transbrasiliana, considerada a quarta maior estrada do Brasil, que há quase 50 anos ainda está sem pavimentação.  Outro problema crônico é a BR-285 que liga Passo Fundo e Carazinho, e não consegue dar conta do seu fluxo de veículos. O modal rodoviário representa, segundo o relatório da CNT, 61% dos deslocamentos de cargas e aproximadamente 96% em questão de passageiros. Segundo Munira, uma opção para aliviar esse setor seria o modal aéreo, mas enquanto é planejado melhor esse modelo, não se pode deixar de levar em consideração as condições de trafegabilidade e segurança na estrada.

Os modelos de concessões PPPs

Para o deputado estadual, Juliano Roso, do PCdoB, é preciso trabalhar e superar as questões do modal aéreo da região, ainda mais após o desligamento da empresa Avianca do aeroporto Lauro Kortz de Passo Fundo. E assim como a presidente do Corede Produção, o deputado concorda que a situação da Transbrasiliana é uma dos principais impasses do setor rodoviário.

Um dos pontos levantados por Roso, em relação à logística, são as concessões de Participação Público-Privadas (PPPs) das rodovias. Nesse novo modelo adotado pelo governo, o investidor terá que duplicar pelo menos 25% do trecho concedido, junto com restaurações, terceiras faixas e viadutos. Essa concessão tem um prazo de 30 anos e permite a implantação de até duas praças de pedágio, com tarifas de R$6,90 na ida e mais R$6,90 na volta. Segundo o deputado, umas das principais críticas ao modelo é tempo das concessões. “Teria de haver um modelo com tempo de 10 anos e com valor mais acessível à população, é muito benefício para as empresas e pouco controle para os cidadãos”, afirma Roso.

O projeto da Ferrovia Norte/Sul iniciou nos anos 80, mas ainda não temos a ferrovia.

E as ferrovias?

Outro debate que chama atenção no setor logístico e de transporte é a situação das ferrovias no estado. Uma das
principais discussões gira em torno da prometida Ferrovia Norte/Sul, que seu projeto já se arrasta há 30 anos sem gerar nada. A ideia da ferrovia era ligar a Amazónia ao Rio Grande do Sul, mas mesmo depois de anos ainda não há resultados. Segundo Roso, este é um modal importante porque ele facilita o transporte, mas tem que haver uma discussão cada vez maior do assunto.

O deputado reitera que a retomada da discussão é fundamental para garantir a movimentação desse processo.  A mobilização regional também é defendida pela presidente do Corede Produção. “Podemos construir isso juntos, pois se tivermos uma escuta a chance de errar é menor. Por trabalhamos com processos democráticos consequentemente as falhas que ocorrem devem ser tratadas coletivamente”, comenta.

Logistech

Nesta sexta-feira, todos estes temas estarão em discussão na terceira edição do Congresso de Infraestrutura, Transporte e Logística do Norte do RS (Logistech), que acontece na Universidade de Passo Fundo. O evento, que já abordou em edições anteriores questões relacionadas às rodovias e ao aeroporto Lauro Kortz, traz neste ano o debate sobre o setor ferroviário do Rio Grande do Sul e as Participações Público-Privadas das Rodovias (PPPs).

Para o coordenador do Congresso, o professor Marcos Citolin, o Logistech serve tanto para acelerar quanto qualificar os processos em pauta. Já que segundo ele, a região norte pode ser considerada como o terceiro polo econômico do Estado. “A Logistech é um evento de sensibilização e conscientização para mostrar ao governo que nossa região pode ser tornar um pólo regional de desenvolvimento”, comenta Citolin. Entre os debates estarão o potencial instalado da malha ferroviária do norte do RS junto com as demandas do setor e as alternativas e os benefícios da construção de PPPs na malha rodoviária no norte do RS coordenados pelo Reitor da UPF, José Carlos Carles de Souza.

Para quem quiser participar do evento as inscrições são gratuitas e podem ser feitas no site da Logistech.

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