A mulher e suas conquistas

Muito foi conquistado, mas muito ainda há para ser modificado nesta história

Chefe de família, empreendedora, trabalhadora e batalhadora, é assim que encontramos a mulher do século XXI. Mulheres que hoje exercem seus direitos de emprego e de trabalho, da sua profissionalização, da sua cidadania e autonomia, no combate à violência. E neste 8 de março, reconhecido pela ONU (Organização das Nações Unidas) como dia Internacional da Mulher, o Nexjor fez um resgate histórico dos direitos adquiridos pelas mulheres ao longo dos anos no mundo e no Brasil.

Marcos das Conquistas das Mulheres na História do Mundo

1788: O político e filósofo francês Condorcet reivindica direitos de participação política, emprego e educação para as mulheres.

– 1792: Na Inglaterra, Mary Wolstonecraft escreve um dos grandes clássicos da literatura feminista – A Reivindicação dos Direitos da Mulher – onde defendia uma educação para meninas que aproveitasse seu potencial humano.

1840: Lucrécia Mott luta pela igualdade de direitos para mulheres e negros dos Estados Unidos. 

1859: Surge na Rússia, na cidade de São Petersburgo, um movimento de luta pelos direitos das mulheres.

1862: Durante as eleições municipais, as mulheres podem votar pela primeira vez na Suécia.

– 1865: Na Alemanha, Louise Otto, cria a Associação Geral das Mulheres Alemãs.

– 1866: ­­ No Reino Unido, o economista John S. Mill escreve exigindo o direito de voto para as mulheres inglesas.

– 1869: É criada nos Estados Unidos a Associação Nacional para o Sufrágio das Mulheres.

– 1870: Na França, as mulheres passam a ter acesso aos cursos de Medicina.

– 1874: Criada no Japão a primeira escola normal para moças.            

– 1878: Criada na Rússia uma Universidade Feminina.    

– 1887: Formou-se a primeira médica no Brasil: Rita Lobato Velho. As pioneiras tiveram muitas dificuldades em se afirmar profissionalmente e algumas foram ridicularizadas.      

– 1893: A Nova Zelândia torna-se o primeiro país do mundo a conceder direito de voto às mulheres (sufrágio feminino). A conquista foi o resultado da luta de Kate Sheppard, líder do movimento pelo direito de voto das mulheres na Nova Zelândia.

– 1901: O deputado francês René Viviani defende o direito de voto das mulheres.

– 1923: No Japão, as atletas femininas ganham o direito de participarem das academias de artes marciais.

– 1932: No Brasil Getúlio Vargas, no início da Era Vargas, promulga o novo Código Eleitoral, garantindo finalmente o direito de voto às mulheres brasileiras. A primeira atleta brasileira a participar de uma Olimpíada, a nadadora Maria Lenk, de 17 anos, embarca para Los Angeles. É a única mulher da delegação olímpica.

– 1945: Após a Segunda Guerra Mundial, a igualdade de direitos entre homens e mulheres é reconhecida em documento internacional, através da Carta das Nações Unidas.

– 1948: A holandesa Fanny Blankers-Koen, 30 anos, mãe de duas crianças, foi a grande heroína individual da Olimpíada, superando todos os homens ao conquistar quatro medalhas de ouro no atletismo.

– 1949: São criados os Jogos da Primavera, ou ainda “Olimpíadas Femininas”. No mesmo ano, a francesa Simone de Beauvoir publica o livro “O Segundo Sexo”, no qual analisa a condição feminina.

– 1951: Aprovada pela Organização Internacional do Trabalho a igualdade de remuneração entre trabalho masculino e feminino para função igual.

– 1974: Na Argentina, Isabel Perón torna-se a primeira mulher a ocupar o cargo de presidente.

– 1975: Na Argentina, comemora-se o Ano Internacional da Mulher. A ONU promove a I Conferência Mundial sobre a Mulher, na Cidade do México. Na ocasião, é criado um Plano de Ação.

– 1983: Nos Estados Unidos, Sally Ride é a primeira mulher astronauta. Voou na nave espacial Challenger.

– 1985: No dia 29 de agosto, foi criado o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM) com a finalidade de promover em âmbito nacional, políticas que visem a eliminar a discriminação da mulher, assegurando-lhe condições de liberdade e de igualdade de direitos, bem como sua plena participação nas atividades políticas, econômicas e culturais do País.

1988: Através do lobby do batom, liderado por feministas e pelas 26 deputadas federais constituintes, as mulheres obtêm importantes avanços na Constituição Federal, garantindo igualdade a direitos e obrigações entre homens e mulheres perante a lei.

– 1993: Assassinada Edméia da Silva Euzébia, líder das Mães de Acari, o grupo de nove mães que ainda hoje procuram seus filhos, 11 jovens da Favela de Acari (RJ), seqüestrados e desaparecidos em 1990. Ocorre, em Viena, a Conferência Mundial de Direitos Humanos. Os direitos das mulheres e a questão da violência contra o gênero recebem destaque, gerando assim a Declaração sobre a eliminação da violência contra a mulher.­­

– 1994: Roseana Sarney é a primeira mulher eleita governadora de um estado brasileiro: o Maranhão. Foi reeleita em 1998.

– 2001: Na Alemanha, JuttaKleinschmidt é a primeira mulher a vencer o Rali Paris-Dakar, na categoria carros. Considerada a prova mais difícil do planeta – seu desafio é atravessar o deserto – Kleinschmidt, com essa vitória, faz jus à força feminina, presente em todas as atividades do mundo atual. Em 23 anos de disputa, jamais uma mulher havia ganhado nessa competição.

– 2005: Na Alemanha, Angela Merkel foi eleita a nova chanceler alemã, a primeira mulher a ocupar o cargo na história do país. Ela foi aprovada para o cargo pelo Parlamento alemão, e teve 397 votos a favor, contra 202 contra. Houve 12 abstenções.

– 2010: Dilma Rousseff, é eleita a primeira presidente mulher do Brasil.

A mulher tem papel importantíssimo na construção social e apesar das conquistas ao logo dos anos, ainda há a luta para ampliar sua participação na sociedade. A  presença da mulher na política, por exemplo, é ainda muito pequena mas de extrema importância para a classe feminina. Para a professora doutora em história Jaqueline Ahlert, não se trata apenas de garantir o exercício dos direitos a cidadania que toda a mulher tem, mas de fortalecer a democracia.

Segundo Ahlert, os avanços conquistados pelas mulher não beneficiaram apenas questões de gênero, mas  houve uma contribuição para a mudança social do mundo como um todo: “mulheres participaram das ações organizativas, de resistência e de guerrilha. Posteriormente, na elaboração da Constituição Federal em 1988, através do Lobby do Batom, delimitaram espaços significativos, como igualdade jurídica entre homens e mulheres, o reconhecimento da união estável, e direito a creche e a pré-escola para crianças até 06 anos de idade”, lembra a historiadora.

Elas conquistaram ainda espaço no mercado de trabalho, cursaram o ensino superior completo em diversas áreas, lutaram pelo direito ao voto, ao poder político, quebraram tabus em nome da sua sexualidade, e batalharam pelo direito a prevenção anticonceptiva. Houve muita mudança, mas e até que ponto podemos considera-lás efetivas? Para Jacqueline  “o reconhecimento legal” tem mostrado estar muito distante de uma mudança correspondente a nível social e cultural. Os números da violência contra mulher só têm crescido, se é pelas ações de fato ou pelo aumento das denúncias, não há como saber, mas o fato é que tem crescido.  A ONU tem como meta a erradicação de desigualdade de gênero até 2030. Algo absolutamente utópico”, comenta.

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