Um verdadeiro “chiclete”. Para ser bom, ele precisa ser pegajoso, daqueles que você ouve uma vez e nunca mais esquece. O ritmo não importa, contanto que seja marcante. O bom jingle eleitoral deve servir como ponte entre o candidato e o eleitor. Empolgante, deve falar sobre uma vitória que já é certa, e induzir o eleitor a lembrar-se da música e consequentemente do número do candidato na hora da votação.
Jingle é um termo em inglês, e pode até soar estranho para algumas pessoas ,porém seu significado é muito simples e claro. Trata-se de uma música composta para promover uma marca ou produto. Em época de eleições ele está nos carros de som, nos palanques e por toda a parte.
Hoje armas consagradas para a promoção eleitoral, no início os jingles tinham uma função bem diferente. O primeiro criado com finalidade política foi no ano de 1914, nele o presidenciável Marechal Hermes da Fonseca, conhecido como Dudu, sofria duras ofensas por parte da oposição. Os versos nada amistosos diziam: ” Ai Filomena, se eu fosse como tu/tirava a urucubaca da careca do Dudu”. Naquela época, eram em sua grande maioria paródias cantadas em ritmo de marchinha de carnaval, que serviam unicamente para atacar o adversário.
Demorou um certo tempo para eles obterem a função de autopromoção. Foi em 1929 com “Julinho vem“, na campanha de Júlio Prestes que o jingle passou a ser usado para enaltecer as qualidades do candidato. Desde então ele tem dois objetivos básicos: ser curto e de fácil memorização. Sua principal função é atrair a atenção para um nome, marca ou número. Na política tem sido amplamente usado, é o principal responsável em causar simpatia pelos candidatos, mas não tem grande importância na hora do eleitor decidir seu voto.
Os mais lembrados são quase sempre os mais antigos. Getúlio Vargas marcou época com o seu “Bota o Retrato do Velho” durante o Estado Novo, quando, como havia prometido, voltou ao poder “nos braços do povo”. Com o jingle “Varre, Varre Vassourinha“, Jânio Quadros assumiu a presidência prometendo livrar o Brasil da corrupção. Em 1889 “Lula-lá, brilha uma estrela“, foi cantado por grandes personalidades da televisão, e embalou a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva.
Faz tempo que não ouvimos um jingle com poder de grudar a letra em nossa mente. Na eleição de 2010, por exemplo, dificilmente lembraremos da canção de um dos candidatos à presidência, exceto é claro o clássico de José Maria Eymael, que apesar de estar presente em todas as eleições que Eymael é candidato foi escrito em 1998.
O publicitário, jornalista, radialista e administrador de empresas Carlos Manhanelli, é considerado um dos maiores consultores políticos do Brasil. Autor de 17 livros, Manhanelli comanda a Manhanelli Associados, uma consultoria em comunicação, marketing e propaganda política/ eleitoral. Em entrevista à Revista Veja em 2011, por ocasião do lançamento de seu livro ” Jingles eleitorais e marketing político – uma dupla do barulho’, Carlos Manhanelli falou sobre a importância desse elemento nas campanhas eleitorais, dos componentes necessários para que ele caia no gosto popular, além de citar aqueles, que na sua opinião, são os melhores jingles eleitorais já lançados.
E ao comentar sobre o porque dos jingles mais recentes não fazerem tanto sucesso foi categórico: “até 1990 as campanhas eleitorais eram mais emocionais. Hoje, são mornas, racionais”. Além é claro do eleitorado ter mudado. Não se vê mais a política como no passado, o envolvimento é menor.
“Um jingle bom é aquele que cai no gosto da população de tal maneira que se torna eterno. Numa campanha, cada ferramenta tem a sua função: os santinhos, os cartazes, o rádio, a propaganda eleitoral gratuita e as inserções na televisão. A do jingle é cair no gosto dos eleitores”, enfatizou Carlos Manhanelli.
Confira, além dos já citados no texto, alguns dos jingles de candidatos à Presidência da República que marcaram época:
Jingle da campanha de Juscelino Juscelino Kubitschek em 1955.
httpv://www.youtube.com/watch?v=FDXUWyXsJu4
Jingle de Leonel Brizola no ano de 1989
httpv://www.youtube.com/watch?v=mqSmVoT0HMY
Jingle de Fernando Henrique Cardoso em 1994.
httpv://www.youtube.com/watch?v=F46ygZn3SF0
Jingle de José Maria Eymael em 1998.
