Israel x Palestina: entenda o conflito

A Terra é Santa, mas o conflito é tipicamente humano. Israelenses e palestinos lutam pela hegemonia de parte da Palestina, região no Oriente Médio que possui significado histórico e religioso para as duas religiões majoritárias desses povos – respetivamente – judaísmo e islamismo. Mas nem sempre foi assim. Apesar de haver registros de conflitos entre os dois grupos em séculos anteriores, as disputas acirraram-se após a criação do estado judeu de Israel em meio à população de maioria muçulmana, em 1948.

À época, a Europa vivia sob o paradigma do nazismo de Adolf Hitler, regime que visava a criação de, na opinião do Terceiro Reich, uma nação superior, sem grupos minoritários, como negros e homossexuais. Os judeus passaram também a ser perseguidos, e o destino de muitos deles foi a Palestina, um território então administrado pela Inglaterra. Os árabes muçulmanos, que compunham a maioria da população, temiam o número cada vez maior de judeus na região. A vontade da criação do estado judeu era mais antiga, e ganhou força com o antissemitismo crescente no período entre as duas grandes guerras. Esse movimento ficou conhecido com sionismo.

[stextbox id=”custom” caption=”Perseguição aos judeus” float=”true” align=”right” width=”250″ image=”null”]A perseguição aos judeus – ou hebreus, como eram conhecidos anteriormente – remete há pelo menos quatro mil anos, quando foram escravizados por quatro séculos por faraós no Egito. Em resumo, a perseguição era motivada pela noção social e religiosa diferentes aos demais povos, que tentavam, sem sucesso, converte- os hebreus às suas crenças.[/stextbox]

Criação do estado de Israel

A onda de imigração à Palestina causou problemas à administração inglesa. Por isso, em 1947, a Organização das Nações Unidas propôs a criação de dois estados independentes na região, uma árabe e outro judeu, com a cidade de Jerusalém como área internacional (não faria parte dos dois territórios). A partilha não agradou principalmente aos árabes, que receberam 1/3 do território, mesmo possuindo 2/3 da população da região. No dia 14/05/1948, mesmo data do final do mandato inglês na Palestina, organizações judaicas anunciaram a criação do estado de Israel, mesmo sem o apoio da ONU e dos demais países da região. A medida foi o marco para a tensão entre os dois povos. Desde então, diversos acordos de paz foram mediados por países e instituições, mas nenhum foi capaz de encontrar uma solução definitiva para a questão.

De quem é a Palestina?

O Islã é a religião que conseguiu unificar os diversos povos do Oriente Médio, que antes viviam em tribos. No século VII, segundo a tradição islâmica, Maomé recebeu a revelação do anjo Gabriel, de que deveria difundir a submissão total a Allah, o único deus verdadeiro. As peregrinações do Profeta pela região atraíram muitos seguidores, e logo tornou o Islã a religião da maioria da população. Essa unidade contribuiu para a expansão do Império Árabe a toda Palestina, norte da África, sul da Ásia e Europa. Os povos passaram a falar o mesmo o árabe, idioma oficial do Corão, o livro sagrado muçulmano.

Se desde o século VII os árabes muçulmanos dominam a região, os hebreus têm histórias anteriores à vida de Maomé. Por volta de 1700 a.C., após o fim da escravidão no Egito, eles peregrinaram por 40 anos no deserto, até receberem um sinal divino para voltarem à Terra Prometida, Canaã. O atual estado de Israel compreende boa parte dessa região que, segundo a crença judaica, fora destinada por Deus aos hebreus.

Hoje 

Atualmente, o conflito é baseado nas mesmas reivindicações da época do estabelecimento do estado de Israel: os palestinos lutam pelo território que, segundo os próprios, lhes foram tirados à força, e pela criação de um estado soberano árabe, com terras hoje dominadas por judeus. Já pelo lado israelense, o propósito é manter o território e combater os grupos revolucionários palestinos.

Saiba mais

Não é possível explicar o conflito entre israelenses e palestinos em algumas linhas. Veja como filmes, músicas e livros mostram um dos problemas mais complexos da humanidade.

Filmes

Paradise Now (2006)

O filme vencedor do Globo de Ouro em 2006 conta a preparação de dois amigos palestinos que são recrutados para realizar um atentado suicida na cidade de Tel Aviv, Israel.

Assista: Trailer/Filme completo (áudio árabe/legenda inglês)

Munique (2005)

Diretor: Steven Spielberg, 164 minutos

Baseado em fatos reais, o filme conta o sequestro e morte de 11 de atletas israelenses por palestinos nas Olimpíadas de 1972, em Munique. Após o fato, um oficial da Mossad, serviço secreto israelense, é encarregado de encontrar os responsáveis pela ação.

                                     Assista: Trailer/Filme completo (áudio inglês/legenda português)

Lemon Tree (2006)

Diretor: Eran Riklis, 108 minutos

O filme conta a história de Salma, uma viúva palestina que tem sua rotina alterada com a chegada de um novo vizinho, o Ministro da Defesa de Israel. O sistema de segurança do oficial declara que os limoeiros, fonte de renda de Salma, poderiam por em risco a família do ministro.

                               Assista: Trailer/Filme completo (áudio árabe e hebraico/legenda português)

Valsa_com_bashir_Valtz_with_Bashir

Valsa com Bashir (2008)

Diretor: Ari Folman, 90 minutos

A animação sobre a Guerra do Líbano em 1982. Depois de anos, um ex-soldado israelense tenta recuperar as memórias do período em que participou de conflitos com refugiados palestinos. Ari Folman, 90 minutos

Assista: Trailer/Filme completo (áudio hebraico/legenda português)

Música

Música do mais recente álbum da banda porto-riquenha Calle 13, Multi_Viral é uma forte crítica à situação na Palestina.

httpv://www.youtube.com/watch?v=EjSCy1GC6Sc

“This land is mine” é uma paródia da música “Exôdus“,  propaganda do sionismo norte-americano da década de 60.

httpv://www.youtube.com/watch?v=-evIyrrjTTY

Ska-P é uma banda espanhola que aborda temas polêmicos em suas músicas. Intifada é o nome dado às revoltas de palestina contra israelenses.

httpv://www.youtube.com/watch?v=tfrkZF5T7bU

Livros

80141_gg

Jerusalém: uma cidade, três religiões

Karen Armstrong

O livro conta a história da Cidade Santa e sua importância para o Judaísmo, Cristianismo e Islamismo.

576 páginas

Uma História dos Povos Árabes

Albert Hourani

Um dos principais livros sobre o assunto. Hourani conta a história dos árabes desde a ascensão do Islã, no século VII, até o fundamentalismo religioso debatidos atualmente.

                                  704 páginas

167tvm9

História dos Hebreus

Flávio Josefo

Escrito no século I pelo judeu Flávio José, o livro é uma das fontes mais antigas e importantes para os estudiosos no assunto.

1568 páginas

Rolar para cima