Quem não lembra a polêmica envolvendo o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, quando tirou uma selfie no funeral do ex-líder sul africano, Nelson Mandela? A imagem explodiu nas redes sociais e gerou uma série de discussões entre os internautas. Porém, ainda há uma dúvida: qual explicação possibilitaria compreender situações como essas? Talvez a melhor resposta seja “a febre das selfies”.
[stextbox id=”custom” caption=”A primeira selfie?” float=”no”]Esta foto encontra-se no Museu da Cidade de Nova York, nos Estados Unidos. Ela foi tirada no inverno de 1920, quase cem anos atrás. Algumas pesssoas dizem que o modelo da fotografia é muito parecido com uma selfie.[/stextbox]
A prática diária deu-se a partir do momento em que os famosos e importantes líderes mundiais aderiram à moda. Porém, o Instagram revelou que o primeiro autorretrato com a tag foi publicado em dezembro de 2010, pela escritora norte-americana Jennifer Lee. A foto foi registrada por um iPhone, e o principal objetivo da escritora era mostrar seu suéter novo.
A palavra selfie é o mesmo que autorretrato, no entanto é compartilhado imediatamente nas redes sociais. Segundo o blog Oba Arte, há pelo menos três grupos de autores de selfies: os exibicionistas, os compassivos e os aventureiros. O primeiro, por exemplo, é formado por pessoas que costumam parar diante do espelho da academia – para exibir os resultados da malhação, ou do elevador. O segundo reúne aqueles que pretendem revelar o estado de espírito, por exemplo, através de fotos com amigos, namorado (a) ou o despertar às 7 da manhã. Por fim, tem aqueles que adoram mostrar que frequentam algum lugar, por exemplo, shopping, piscina ou parque.
Como explicar o fenômeno selfie?
“O mundo contemporâneo está bastante narcisista, ou seja, as pessoas concentram-se apenas nelas mesmas”, explica a professora da Universidade de Passo Fundo, Maria Goretti Betencourt. “É uma estratégia que favorece esse tipo de exposição, utilizar-se disso para que, de certa forma, preencha um vazio. Eu preciso do olhar do outro para me construir como um sujeito”, analisa.

Para a jovem Tamara Miranda, de 19 anos, a febre das selfies é muito interessante, pois os registros diários garantem muitas recordações futuras. “As pessoas de todo o mundo podem tirar selfies de modo criativo e, em certas situações, engraçadas. Porém, eu não tenho um número exato de quantas eu tiro por dia, vai depender muito das pessoas que estão comigo e do momento, mas trará boas lembranças”, destaca. Já para a estudante do curso de jornalismo, Georgia Spilka, de 18 anos, tirar selfies não é um costume diário, vai depender muito do humor. “Tem dias que eu não tiro nenhuma, mas, às vezes, eu me inspiro e tiro várias. Acho um problema quando é muito frequente”, afirma.
Tudo que é em excesso também pode gerar algumas consequências para o indivíduo. “A exposição exagerada sempre é um problema. O momento em que eu preciso o tempo todo do ‘aceito do outro’, tem alguma coisa que não está indo bem”, complementa a professora Maria Goretti.
Nessa perspectiva, o professor de filosofia da Universidade de Passo Fundo, Gerson Luís Trombetta, relaciona as selfies como uma “grande e sedutora vitrine a céu aberto”. É a potencialização de um impulso que está nas redes sociais. Do ponto de vista filosófico, é possível afirmar dois tipos: o glamour e o consumo. “O glamour pode significar a capacidade de ser invejado pelos outros, é a forma de transmitir uma sensação de conspiração pela vida que o outro indivíduo leva, invejando a sua posição. Ou seja, os outros nos enxergam sorrindo em situações completamente prazerosas, ou em grupo de amigos. A busca da felicidade individual – mesmo diante da infelicidade dos outros – é um direito conquistado nesse modelo de sociedade”, afirma o professor.
Além disso, ele compara a selfie com uma grande “propaganda num outdoor”. “Quando o indivíduo faz uma selfie, ele coloca-se na condição de uma ‘mercadoria’, ou seja, ele pretende comunicar aos outros que a sua vida é muito mais interessante que a de quem o observa. É como uma propaganda publicitária”. Talvez, o efeito colateral para essa perspectiva vá atravessar os limites das relações sociais, o desejo de consumir pela magia das mercadorias que estão a nossa disposição e que prometem felicidade. “Ninguém posta uma foto que ficou feia. O efeito é que nos mesmos também queremos ser consumidos pelo outro. Colocamos nossa identidade e nosso rosto à disposição dos outros para que os outros também nos desejem. Eu sou o próprio modelo da minha propaganda. Ao mesmo tempo em que pretendo tornar-me um”, conclui.
Selfie na bagagem
Analisa o melhor ângulo, arruma o cabelo, capricha na expressão facial e dá um clique. Simples assim. E a paisagem? Para algumas pessoas o limite vai muito além do que se pode imaginar. Os lugares mais exóticos, mais altos e inusitados incluem-se facilmente no roteiro de viagens.
O fotógrafo britânico Lee Thompson conheceu um dos lugares mais visitados do Rio de Janeiro: o Cristo Redentor. Mas, ao contrário de muitos turistas, ele pôde conhecer a parte interna do monumento. Porém, não foi isso que chamou a atenção dos internautas, Thompson tirou uma selfie em um dos braços do Cristo. Assista ao vídeo:
httpv://www.youtube.com/watch?v=dV_np9w2u4Q
Até a presidente Dilma Rousseff entrou na onda dos autorretratos. Mais conhecida como Dilma “Rousselfie”, a presidente faz questão de aparecer em fotos, principalmente quando está cercada pelo povo.

Segundo o site Nômades Digitais, o mochileiro Alex Chacón tornou-se famoso depois de tirar selfies em 36 países que visitou. Com a câmera na mão e um sorriso no rosto, Chacón não mediu esforços para aparecer em lugares inusitados e de belezas naturais.

