Feira Agroecológica: uma proposta de saúde em Passo Fundo

Diferente da rotina de sábado da maioria das pessoas, às 2h50min da madrugada, Maristela Ferguson começa o seu dia. Levantar da cama em dias de frio não é tarefa fácil, mas a moradora de São Domingos do Sul não se deixa abater, diz ser uma opção de vida. Toma um rápido café, confere se tudo foi carregado corretamente e embarca na sua camionete. São cerca de 60km até o seu destino final, em Passo Fundo. Às 5h10min, a produtora rural, desembarca. A Praça da Mãe, no centro da cidade, já tem uma grande movimentação, outros produtores, que como Maristela acordam tão ou mais cedo, agora começam a montar suas barraquinhas.

Estamos na Feira Agroecológica de Passo Fundo que há 16 anos oferece a população uma proposta de alimentação saudável. Os produtos, ofertados semanalmente ao consumidor, são produzidos pelo sistema familiar, com utilização mínima de defensivos, adubos químicos e conservantes. As famílias que expõe e destinam a maioria da sua produção para a Feira, tem o acompanhamento do Centro de Tecnologias Alternativas e Populares (Cetap), que avalia e garante a qualidade de uma produção orgânico-ecológica.

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Em 1997 foram realizadas as pré-feiras, uma espécie de teste, para em 4 de abril de 1998, acontecer a primeira edição da Feira Agroecológica.

Para quem é assíduo e não dispensa uma alimentação saudável, esses produtos tem uma qualidade que não aparece, que é a ausência dos contaminantes, como cita Alfredo Castamann. “A possibilidade de estarmos consumindo produtos que temos a convicção que são sem agrotóxicos nos permite fazer um consumo com tranquilidade e sem preocupações com o risco da contaminação” declara Castamann, que a há 14 anos é cliente de Maristela e de outros feirantes.

O impasse da legislação

Apesar de todos os benefícios, alguns entendimentos sobre a aplicação da legislação dos produtos comercializados , estão impedindo que esses agricultores possam ofertar os seus produtos. O Coordenador da Feira Agroecológica e representante da Companhia Nacional de Abastecimento ( Conab), Jair Valentim Prestes, explica que a lei exige que todos os produtos sejam de origem animal e estejam legalizados e que investidas da secretaria da Agricultura do Município com o BOE, retiraram alguns alimentos dos agricultores, alegando problemas de contaminação. O coordenador afirma a qualidade dos produtos e diz que a Conab está indo em busca de legalizar o que não está legalizado, para ser consumido na Feira.

O Vice-prefeito de Passo Fundo, Juliano Rosso, explica que por se tratar de uma legislação federal, o município deve acatar as advertências. Rosso declara que é importante que essas legislações sejam cumpridas e que buscam uma solução para que esse debate não prejudique os agricultores que produzem produtos através da agricultura familiar. “A Prefeitura Municipal de Passo Fundo está a disposição pare recebê-los e construirmos uma ponte para facilitar o trabalho destes agricultores. O papel do Município não é de prejudicar, mas nós não podemos rasgar as leis que foram feitas, que são leis federais” completa o Vice-prefeito.

Maristela, não desanima, para ela produzir para a Feira é um prazer. “É uma questão de saúde não lidar com químicos. A tecnologia limpa é uma agricultura que preserva a terra, preserva a qualidade da água, preserva a saúde do agricultor e principalmente, oferece para população um produto saudável . Então, a gente entende que é importante que a feira continue e que a população possa ter acesso sim, a este tipo de alimento.”

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