Dharamsala: religião e conhecimento

imagem: reprocução
Indiana em um dos templos do país, que é famoso pelas adorações aos deuses

A Índia está localizada na Ásia Meridional, sendo o segundo país mais populoso do mundo. Um país cuja religião oriental se faz presente em todos os atos das pessoas que adoram várias divindades protetoras, mas que ao mesmo tempo procuram o progresso e um melhor desenvolvimento do país.

imagem: arquivo pessoal Daniel Confortin
As montanhas de Dharamsala, com o clima a temperaturas negativas.

A espiritualidade é o traço mais marcante, com metáforas de lições de vida para guiar uma existência próspera na terra. Um exemplo disso é a constante presença da flor de lótus, que floresce mesmo em águas pantanosas e em climas improváreis. Para os indianos, assim devem ser as pessoas: florescer na vida mesmo estando em contato com os problemas e dificuldades que podem nos desanimar.

Mas apesar de toda a beleza, a Índia também tem grandes problemas internos. A fome, pobreza e a mortalidade infantil são realidade de muitos indianos, que vivem em condições precárias devido à aglomeração das pessoas. A cidade de Mumbaim é a cidade mais populosa do país, com 15 milhões e habitantes.

E é ao norte da Índia, mais precisamente próximo aos Himalaias que fica a cidade de Dharamsala, com cerca de 20 mil moradores. Assim como toda a Índia, a cidade é um lugar belezas naturais e de respeito e contemplação à religião, atraindo muitos turistas durante o ano.

imagem: reprodução
Dalai Lama, o líder seguido por milhares de pessoas

O lugar abriga vários refugiados tibetanos, que fugiram do país quando a China invadiu o Tibet. Nessa época, a santidade Dalai Lama, décimo quarto de seu nome, também se refugiou na cidade. Desde então, Dalai Lama e seus seguidores vivem em Dharamsala, mas sempre lutando pela libertação do Tibet. A partir daí, milhares de tibetanos se refugiaram na cidade, encontrando um lugar para recomeço, tornando Dharamsala o maior refúgio de tibetanos da Índia.

E essa cidade foi cenário para o desenvolvimento da pesquisa “estudos sobre processos estéticos e interculturalidade” realizada pelo mestrado em educação da UPF. Nessa pesquisa foram realizadas oficinas que trabalharam os cinco elementos: terra, água, fogo, madeira e metal. Participaram alguns exilados tibetanos, estrangeiros e indianos.

imagem: arquivo pessoal Daniel Confortin
Oficinas sendo realizadas, trabalhando os cinco elementos.

Quem embarcou nessa viajem foi o mestrando em educação pela UPF Daniel Confortin, que já havia morado na índia e estudou arte tibetana e budismo. Daniel foi fundamental para organizar as oficinas e mobilizar as pessoas para que fossem até lá aprender mais sobre os elementos. A professora Graciela Ormezzano foi a coordenadora do projeto, ela ministrou as oficinas, e conta que a viajem era um grande sonho. “Sempre quis visitar a Índia, mas não como visitante, eu queria ir lá para contribuir com algo que fizesse a diferença”, conta ela.

As oficinas duraram cinco dias, cada dia trabalhando um elemento. “As pessoas tinham várias sensações, momentos felizes e tristes, como se lembrar através das atividades a difícil travessia da cordilheira para fugir do Tibet”, explica a professora Graciela.

Os trabalhos foram realizados a partir da arteterapia. Para quem não conhece, a arteterapia é um tratamento para desenvolvimento pessoal, usando arte, desenho, escultura, modelagem, entre outros. Dessa forma, as atividades expandem a imaginação aprofunda o conhecimento interno e liberta a capacidade de pensar e de se expressar de acordo com o sentimento. “No dia do fogo, trabalhamos com uma vela, no dia da terra usamos massa de modelar, no dia do aço utilizamos a lã, e assim foi seguindo, cada dia um elemento era trabalhado”, conta Graciela.

imagem: arquivo pessoal Daniel Confortin
Pessoas acendendo as velas em homenagem aos que cometeram a auto imolação

Daniel ainda ressalta que os dias em que estiveram realizando as oficinas, era também um momento de protestos contra as autoimolações que são frequentes entre os tibetanos. “O ato da imolação, os seja, atear fogo no próprio corpo, é o último grito por liberdade, quando todas as ações contra o domínio da China já foram tentadas”, explica ele. Para simbolizar as pessoas que se auto imolaram, várias velas foram acesas em homenagem a cada um que tirou a própria vida.

imagem: arquivo pessoal Daniel Confortin
Além da cultura, os cenários deslumbrantes também atraem muitos turistas.

As oficinas uniram pessoas de diferentes nacionalidades, misturando culturas, promovendo a interação e fazendo com que por pelo menos alguns instantes, as pessoas esquecessem a opressão. “Os trabalhos foram feitos com algumas pessoas que passaram por momentos difíceis, como quando tiveram seu espaço invadido, ajudando assim a libertar e compreender as emoções”, explica Graciela.

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