Sala de recursos: educação sem restrição

As cinco letrinhas do alfabeto mais usadas no início da alfabetização podem ser um obstáculo gigantesco a ser enfrentado por algumas crianças. As letras no quadro negro não fazem sentido e o barulho, típico de uma sala de aula lotada, incomoda quem quer mas não consegue acompanhar o ritmo da turma. A dificuldade de aprender pode ser amenizada com um simples e emocionante programa do Governo Federal: a sala de recursos multifuncionais.

[stextbox id=”custom” float=”true” align=”right” width=”250″]Crianças e adolescentes com algum tipo de dificuldade, não só física, mas psicológica, tem um número significativo em meio à sociedade. Pesquisas realizadas por organizações do mundo inteiro, como a Organização das Nações Unidas (ONU), revelam que aproximadamente 23% da população mundial necessita, quando alfabetizada, de uma forma especial de ensino.[/stextbox]

Alunos que estão matriculados no ensino regular mas, que por motivos físicos ou psicológicos não conseguem aprender, recebem atividades complementares no turno inverso da sala de aula. A proposta de frequentar o programa é oferecida aos estudantes a partir de um diagnóstico feito em sala de aula. Feito isso, o aluno é encaminhado ao CEMAE (Centro Municipal de Assistência ao Educando) onde recebe um acompanhamento médico e realiza exames para conhecer suas limitações. Com o diagnóstico em mãos, o estudante é encaminhado a frequentar as salas de recursos. Assim, o professor responsável tem o dever de realizar atividades de acordo com suas dificuldades do aluno e os recursos multifuncionais das atividades estimulam de forma dinâmica e didática a capacidade de absorção cultural das crianças com necessidades especiais.

Diversas famílias são ajudadas pelo programa em Passo Fundo e o resultado tem sido positivo. É o que conta o pai de um aluno que frequenta a sala de recursos: “O meu filho mudou completamente desde que começou a sala de recursos, agora ele tem vontade de aprender” diz Antônio*, emocionado, sobre a evolução do filho com o apoio extra. Com palavras simples e lágrimas nos olhos, o pai conta que o menino perdeu sua irmã a pouco tempo e é a sala de recursos que tem o ajudado a falar do sentimento da perda.

Crédito - Eduarda Ricci Perin
A sala de recursos serve como um complemento da sala de aula regular e ajuda a criança tanto no psicológico, quanto na aprendizagem

Também se emociona ao falar do programa, a pedagoga e graduada em Atendimento Educacional Especializado, Adriana Aparecida da Silva. O seu trabalho, na sala de recursos multifuncionais da EMEF. Cohab Sechi em Passo Fundo, se baseia na relação de confiança entre ela e os alunos que atende. “É preciso entender a alma das crianças, conhecer as suas dificuldades.” explica ela, que criou vínculos e conhece a história e os limites de cada aluno.

O programa tem muito a evoluir e muitos obstáculos a serem enfrentados. Uma das maiores dificuldades é a quantidade excessiva de alunos que necessitam de diferentes formas de atendimento e o tempo limitado para atende-los.

O tempo é limitado, mas, o amor que o professor oferece ao aluno e a relação de compreensão que se cria na sala de recursos não tem limites. E, são esses fatores que mantêm vivo o programa, que faz parte da escola e atua como ponte entre o aluno e o aprendizado.

*O nome foi substituído para preservar a identidade da família

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