O legado de Lou Reed

Em 27 de outubro de 2013, todos os jornais e sites de notícia deram a triste manchete: Lou Reed faleceu. Grande compositor, cantor e guitarrista, passou os últimos dias em sua terra natal, Nova Iorque.

rockvel
O disco The Velvet Underground and Nico tinha temas como temas como drogas, sadomasoquismo, prostitutas, e até ocultismo

“O som é mais do que apenas ruído. A minha vida é a música”. A frase foi dita pelo músico em sua ultima entrevista, para a Rolling Stone. Lou Reed veio a falecer devido a complicações após um transplante de fígado, mas o que ele se referia como “Minha vida” nunca morrerá. Em 1964 o nova iorquino formava uma das mais influentes bandas de rock norte-americanas, o Velvet Underground! A banda tinha um estilo pouco comum para a época, e desafiou o mercado da música mundial. A capa do primeiro disco era uma banana, e continha faixas épicas como Sunday Morning e Femme Fatale. Pode-se dizer que é mesmo o tipo de disco para ouvir numa manhã de domingo, deitado em uma rede na beira da praia, não?! De qualquer maneira, o que não se pode negar é que o Velvet Underground entrou para a história e trouxe um estilo totalmente novo – e delicioso. O produtor musical Brian Eno chegou a declarar que “o primeiro álbum do Velvet Underground vendeu só 10 mil cópias, mas todo mundo que comprou o disco montou uma banda”.

6a00d83451bad569e2019b0063329b970c
O legado de Lou Reed conta com 6 álbuns da Velvet Underground e 27 álbuns solo.

Lou Reed não ficou para trás quando saiu do grupo e, em 72 lançou seu primeiro disco solo. Influenciou muitas bandas do pré-punk de Nova Iorque com trabalhos que ganharam reconhecimento, como a 5ª faixa do seu segundo disco (Transformer), “Walk on the wild side”.  Quem curte muito o trabalho de Reed é o jornalista Passo-fundense Flaubi Farias. “Lou Reed pra mim foi um dos músicos mais vanguardistas da história. Logo de início já liderou uma banda que contrastava um pouco com o colorido e o movimento hippie, dominante da época. Falo especialmente do primeiro álbum do Velvet Underground, que foi o primeiro que ouvi. Dizem que a gente não pode julgar um livro pela capa, mas eu comprei um cd em uma loja de discos em Tramandaí quando tinha 14 anos por causa da banana. Tinha achado a capa genial, mas sabia que o álbum também seria.”

andy_the_velvet_underground_by_ladylolitalennon909
O VU sempre foi conhecido pelo som alternativo, desvinculado de interesses comerciais e focalizava quase sempre temas relacionados ao submundo

Reed ficou famoso por experimentar um tipo de narrativa em suas músicas, ele retratava coisas do submundo da cidade norte-americana em suas letras. “Dizem por aí também que o Velvet Underground foi um dos melhores retratos daquela Nova York em transição, entre os 60’s e os 70’s. Eu não era nascido e nunca foi pra Nova York, mas acredito que isso é verdade” – comenta Flaubi Farias.

O Velvet era formado por Lou Reed no vocal, Sterling Morrison na guitarra, John Cale no baixo, Doug Yule (que substituiu Cale em 1968), Nico no vocal, Angus MacAlise na bateria e Maureen Tucker (que substituiu Angus MacAlise). Como lembra o jornalista Flaubi, essa parceria foi responsável pela influência e a marca que a banda deixou depois de tantas décadas de seu término. “Penso que não dá pra imaginar o mundo da música sem o Lou Reed. Sem suas parcerias e fortes amizades que manteve com John Cale, Nico, Andy Warhol, Iggy Pop e David Bowie. Até hoje Velvet Underground and Nico, de 1967 e Transformer, de 1972 são dois de meus álbuns preferidos” – destaca o jornalista. O Velvet é lembrado e tem fãs até hoje, assim como Lou Reed, que talvez não tenha sido tão valorizado em vida como deveria. Como é de praxe dar valor ao que se perde, segundo a Billboard, a venda de álbuns de Lou Reed aumentou 607% após sua morte. Agora, que tal curtir um pouquinho do som do Reed e Velvet? Segue abaixo uma playlist especial para você.

Rolar para cima