Pequenos olhos atentos, curiosos, concentrados e ansiosos – olhares de crianças que escutam uma história. Mais do que escutar, elas vivem essa história com o contador. Querem ser protagonistas também, levantam o dedo para dar um novo fim ou para contribuir com o enredo. As histórias, afinal, são capazes de envolver todos os nossos sentidos, principalmente nas crianças. Para conquistar aqueles que ainda não sabem ou não gostam de ler, a 27ª Feira do Livro de Passo Fundo trouxe as contações de histórias.

Os contadores estavam nos estandes e até no palco da Feira. Sem muitos recursos visuais, como grandes cenários e figurinos, quem conta histórias conquista os pequenos com caras e bocas, corpo e voz. “Para chamar atenção das crianças é preciso utilizar histórias mais curtas que mesclam recursos como a música” diz a contadora do Mundo da Leitura, Anicéia Daltoé.
Assim como Anicéia, Rosane Maria e Rafaela Mendes também trabalharam para que as crianças entrassem no mundo fantástico da leitura. As contadoras estavam na estande do Sesc com parceria do Jornal O Nacional e contaram histórias para mais de mil crianças em 5 dias. Os pequenos descobriram a origem do arco-íris, conheceram a professora aposentada que escrevia poesia nas paredes de casa e o menino que tinha cabelos grisalhos aos 10 anos de idade.
Mas as crianças não foram apenas ouvintes: elas participaram das histórias. Leram as poesias de Dona Sofia e deram fim a história do Paulinho, aquele menino que saiu num barquinho e ninguém sabe e ninguém mais viu. -Ele pegou carona com os botos cor de rosa e voltou para casa e para a sua família – disse uma das quarenta crianças que ouviam a história da Folha Mágica, que a contadora Rosane Maria inventou.

Com a intenção de fazer com que as crianças tenham desde cedo o contato com a leitura, a coordenadora da EMEI Raio de Luz, Vanessa Mendes apoia a contação. “Ouvir histórias desperta a criatividade e a imaginação das crianças. Muitas vezes elas não têm esse incentivo em casa” diz a coordenadora. Já a contadora Anicéia Daltoé, diz que a contação é importante porque a criança imagina, cria e viaja no mundo das histórias.
A criança só pode viajar pelo fantástico mundo da leitura quando é influenciada por alguém e quem conta histórias é um grande influenciador. Há quem defina o contador como encantador de mentes, como o Secretário Municipal da Educação, Edemilson Brandão, que diz: “A criança que não lê, precisa ser seduzida. O contador tem o papel de conquistar”. Edemilson acrescenta: “Esse encantador de mentes só saberá o resultado de seu trabalho daqui 15 ou 20 anos, quando aquela criança chegar perto dele e dizer, agora eu sou um escritor, um leitor, um professor porque você me contou aquela história”.
Quer ser um encantador de mentes? Leia para uma criança!

