Procura-se: Empregada Doméstica

Segundo a Organização Internacional do Trabalho, o Brasil é o país com maior número de empregadas domésticas do mundo. São 6,7 milhões de empregadas, que representam 17% das trabalhadoras brasileiras.

Apesar do dado oficial divulgado em janeiro de 2013, está difícil encontrar alguém disposto a trabalhar como serviço doméstico em Passo Fundo.

Para a empresária Fernanda Schroeder Ely, o mercado de trabalho oferece oportunidades. Ela é sócia de uma empresa que trabalha com limpeza, conservação e manutenção, a Limp Já. Há oito anos na área, a empresa começou oferecendo limpezas residenciais, mas a dificuldade em encontrar mão de obra foi um entrave. Ainda assim, ela conta que há procura: “O telefone não para. A cada quatro ligações, três são à procura de empregadas.”

Quem precisa de uma profissional procura, mas onde elas estão? O Sine de Passo Fundo oferece cerca de 10 vagas por mês, e José Carlos Rya Nedel, coordenador da Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social, considera este um mercado aquecido. “Normalmente, o nosso nível de empregabilidade é muito alto porque, como o sistema funciona como um filtro, as pessoas que estão sendo encaminhadas para o empregador já estão dentro do perfil”, afirma Nedel.

“Tem bastante gente que procura devido à falta de qualificação profissional e baixa escolaridade”

O captador de recursos do Sine de Passo Fundo assegura que a escolaridade é um fator decisivo na procura por vagas nos serviços gerais, havendo dificuldade para preencher aquelas que exigem uma qualificação superior. “Tem bastante gente que procura devido à falta de qualificação profissional e baixa escolaridade. Porque normalmente é exigida apenas experiência, e a empregada doméstica pode ter experiência sem estar no mercado de trabalho, porque limpa a própria casa.”

O Sine oferece vagas de emprego, que ficam expostas no prédio e são divulgadas nos veículos de comunicação. “As pessoas que querem a empregada doméstica nos procuram, preenchem um formulário com os requisitos da vaga: Se tem que cuidar de criança, cozinhar, passar, se tem animais. Aí essas vagas vão para o nosso cadastro e ficam à disposição. Ao chegar aqui uma pessoa com interesse nessa área , é feito um ‘cruzamento’ do perfil do candidato com a vaga desejada, e,  se houver sincronia, ela é enviada para entrevista”, explica Nedel sobre o sistema adotado para atender trabalhadores e empregadores.

Caroline Domingos

Também a empresa de Fernanda é procurada por pessoas interessadas em contratar uma empregada, mas ela justifica que não há mais possibilidade: “Depois que abrangemos o mercado comercial, resolvemos parar com o trabalho doméstico. Só fazemos limpeza em apartamentos, casas e prédios vazios”. Para Fernanda, a falta de empregadas domésticas tem uma explicação: “Elas preferem trabalhar em empresas, acordar de madrugada, do que trabalhar em residência. Dizem que é muito serviço, que os patrões são muito exigentes, mas, na verdade, não querem trabalhar nisso, principalmente se tiver que cozinhar. São raras as pessoas que querem trabalhar de doméstica, mas o salário é altíssimo.As domésticas não permanecem no emprego se o salário não for alto.”

Mudanças no mercado de trabalho

            A escassez de domésticas é um reflexo de uma sociedade que passou uma modificação no mercado de trabalho, que oferece mais nichos. O número de pessoas dispostas a trabalhar como doméstica é menor do que as vagas, fazendo com que o salário oferecido aumente.

O novo ambiente econômico e social já é visível, mas, apesar da oferta de um salário melhor – se comparado há alguns anos atrás – as domésticas e a sociedade ainda enfrentam um desafio: Superar o preconceito. Para Fernanda, ele ainda existe. “É engraçado. Às vezes, o salário que oferecem em outros tipos de emprego é menor do que a pessoa recebe como empregada doméstica, mas, só pelo fato de ela não ser empregada, aceita. Parece que esse nome é muito feio, as pessoas resistem a isso, criaram essa barreira.”

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