Detona Ralph

Nostalgia. Essa é a palavra de ordem

O roteiro não é inovador. O tema, também, não. No entanto, Detona Ralph é um dos melhores, se não o melhor, filme sobre os bastidores dos brinquedos. No longa, bonecas ou carrinhos não ganham vida enquanto ninguém está olhando, mas personagens de vídeo-game têm a sua intimidade exposta. O game-over, aqui, não é o fim.

 Ralph é um vilão que, ao longo do dia, destrói prédios. Conserta-Tudo-Felix-Jr é o herói que, nas mãos de quem controla o game, restaura a construção e, ainda, dá uma lição no Ralph. Game-over, tela preta e, aí, então, a verdade aparece: Ralph freqüenta a reunião dos vilões anônimos e deseja, na verdade, ter o reconhecimento de Felix ou, no mínimo, não ser mais o vilão.

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O desenrolar da trama, a partir desse ponto, ganha contrastes que valem o ingresso: por exemplo: Ralph é um personagem de um jogo de 8 bits que, em busca de aventura, acaba em um jogo em alta definição, em um planeta alienígena e com insetos gigantes. A cena é, não só um retrato das diferenças entre os jogos consoles e os games modernos como, também, um retrospectiva do universo do universo gamer.

A decisão de Ralph, de tentar fugir do vilão que é, acaba resultando num possível apocalipse do mundo dos games. Pois é, Ralph, na melhor das intenções, põe em risco todos os personagens. A aventura resulta no seu encontro com Vanellope Von Schweetz e a relação ganha um quê de Meu Malvado Favorito. Juntos, os dois tentam restaurar a ordem e, de forma previsível, mas não entediante, os dois descobrem que heroísmo nem sempre é dar uma lição no vilão.

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Outro destaque relevante no longa é a presença de famosos dos games. Sonic, Chun-Li e Bowser, o vilão do Super Mário, fazem participações especiais e interagem com Ralph. A integração dos games dá um ar divertido e nostálgico a quem assiste: especialmente os nascidos a partir do fim dos anos 80.

httpv://www.youtube.com/watch?v=X2nABYRagwc

 Dirigido por Rich Moore, que dirigiu, também, Os Simpsons, a animação é um destaque, também, visualmente. O 3D não joga, simplesmente, as coisas no rosto do espectador, mas revela surpreendentes efeitos visuais que dão maior realidade aos personagens e, especialmente nas aventuras de Ralph, veracidade às expressões. A tridimensionalidade, em Detona Ralph, serve para humanizar um personagem de vídeo-game e a produção, que leva o nome da Disney, não peca no ritmo e nem na ambientação.

Na versão brasileira, Tiago Abravanel empresta sua voz a Ralph, que, na versão americana, é interpretado por John C. Reilly. O herói ganha a voz de Jack McBrayer e Rafael Cortez, e a pequena Vanellope tem a voz de Sarah Silverman e Mari Moon. A animação chegou no Brasil sem possibilidades de legenda e, incrivelmente, a dublagem não ficou ruim: os três conseguiram emprestar ao personagem o sentimento que ele pedia, sem exageros ou acomodações.

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