A Origem dos Guardiões

Parece clichê, mas não é. Entre Papai Noel e Coelhinho da Páscoa, o destaque fica na irreverência

[xrr rating=3.5/5]

Quando, em um único filme, Papai Noel, Coelhinho da Páscoa e a Fada do Dente são amigos você não pode esperar muita coisa, certo? Errado. Em “A origem dos guardiões”, que está rolando nos cinemas da cidade, são justamente esses personagens que fazem do filme uma história diferente e cativante. Até porque o Papai Noel não é um velhinho tão bom assim e o Coelhinho da Páscoa tem o péssimo hábito de atirar bumerangues pelo filme todo. Parece de criança, mas não precisa ser.

A história do filme é baseada nos livros de William Joyce, “Guardiões da Infância”, e gira em torno de destruir o plano maligno do Bicho Papão. Clichê? Pode até ser, na teoria. Na prática a história se desenrola muito mais em torno da crença das crianças nos personagens e, por isso, traz mais doses de realidade do que o esperado. Pode não ser uma proposta completamente nova, mas a crítica apelidou a animação de “Os Vingadores do maternal”. E, em 2012, isso é um elogio.

Além de Papai Noel e Coelhinho da Páscoa, a história conta com a participação de Sandman que é o Senhor dos Bons Sonhos e Jack Frost, o escolhido para ser o herói da trama, sendo o Guardião responsável por acabar com os planos de Breu, o Bicho Papão. Esse, por sua vez, usa de pesadelos para espalhar a escuridão pelos sonhos e fazer as crianças desacreditarem dos personagens que, outrora, eram considerados símbolos da esperança. O problema é que “A Origem dos Guardiões” parece um conto de fadas, mas não é. O herói não é tão bonzinho assim e se parece mais com um Wolverine: prefere trabalhar sozinho e usar os próprios métodos para chegar a um resultado. Desse paradoxo é que surge o encanto do filme. Ok, o bem vence o mal. Mas antes disso ele passa por algumas barreiras que envolvem o expectador e fazem a história seguir.

Sim, o filme se trata de mais uma produção com ares natalinos, mas, no montante final, se diferencia. O roteiro, muito bem amarrado pelo diretor Peter Ramsey, diga-se de passagem, veio da mente de David Lindsay-Abaire. A união resultou em um filme que agrada crianças e não entedia os maiores de 12 anos. O diferencial do filme, o uso do 3D, divide a opinião da crítica: há quem diga que o universo tridimensional foi pouco explorado e, por isso, deixa a desejar. No entanto, há, também, quem agradeça: “A Origem dos Guardiões” se preocupa em fazer um bom uso do efeito, dando forma e cor aos personagens, ao invés de ficar jogando coisas em quem está nas poltronas do cinema.

A parte decepcionante do filme fica por conta da dublagem – ouvir Jude Law e Chris Pane seria um pouco mais animador. Como a produção é para crianças, a reclamação passa despercebida. “A Origem dos Guardiões” é um filme que não peca. Não há exagero de efeitos, não obriga o telespectador a forçar a mente para entender um universo mirabolante e não deixa o enredo cair em nenhum momento. O riso acompanha o filme do início ao fim – nos raros momentos em que ele não acontece é porque o expectador está pensando. Sim, “A Origem dos Guardiões” é um convite ao pensamento: onde está a criança que mora dentro de cada um?

Entre pós de areia e beija-flores, “A Origem dos Guardiões” é uma daquelas animações que desperta um lado da gente que costumamos ocultar, por medo de parecer inocente demais. No fim das contas, o Papai Noel pode mesmo existir. O Bicho Papão também.

httpv://www.youtube.com/watch?v=fruLKvsjgDY

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