No início da semana a história fez uma parada na cidade: um pouco da Jornada Mundial da Juventude aconteceu por aqui
Destacar-se. Do Aurélio, distinguir-se, sobrelevar, sobressair – fazer diferente. Inerente à personalidade do jovem, a busca pela diferença impera a vivência diária de quem, de uma forma ou outra, busca seu espaço no mundo. Espaço esse que pode ser conquistado através de um ideal ou de um objetivo. Para quase 1500 jovens, no início dessa semana em Passo Fundo, o ideal os levou longe em uma caminhada que, além de quadras, ruas e avenida, compreende uma opção de vida.
Jéssica Rosset Ferreira tem 20 anos, está se formando em Biologia e já vislumbra o horizonte que escolheu para si. Há 8 anos, fez uma das escolhas mais importantes: optou por abraçar a Igreja Católica e fazer parte de um grupo de jovens, o Curso de Liderança Juvenil – CLJ. Nos dois últimos dias viveu a fé na sua intensidade, ao lado de outros milhares que, assim como ela, fizeram a mesma escolha. No Seminário Nossa Senhora Aparecida, durante todo o domingo, acolheram um pedaço da Igreja, enviado por João Paulo II em 1984. A Cruz Peregrina e o Ícone de Maria, símbolos da Jornada Mundial da Juventude, chegaram a Passo Fundo, vindos de Santo Ângelo, e foram recebidos com alegria, entusiasmo e vontade de carregar nos próprios ombros os 31 quilos que formam a cruz.
As palavras do Papa dos Jovens, ao caracterizar tal cruz como o símbolo da juventude católica, incentivaram os jovens a se unirem, a cada 2 anos, para um encontro onde as diferenças étnicas ou de idioma estão em último lugar. Durante uma semana, os jovens são os protagonistas do evento – desde a sua preparação até a realização e participação. Feita pelos e para os jovens, a Jornada Mundial da Juventude é o espaço que a Igreja Católica destina à reflexão do cotidiano do jovem no mundo – e não apenas dentro da crença. Em 2011, a cidade de Madri foi o palco onde 190 países se encontraram e viverem a unidade de um objetivo. No ano que vem, no fim de julho, é a vez dos brasileiros. Com o lema “Ide e fazei discípulos em todas as nações”, a JMJ 2013 vai se instalar no Rio de Janeiro e, desde já, milhares de pessoas estão envolvidas na preparação da estrutura que receberá centenas de países.
Como símbolos deste momento dos jovens, uma cruz. Se não fosse a placa de metal posicionada na parte inferior da madeira, nada teria de especial. Vindas da boca de João Paulo II, missionam o jovem: “Meus queridos jovens, na conclusão do Ano Santo, eu confio a vocês o sinal deste Ano Jubilar: a Cruz de Cristo! Carreguem-na pelo mundo como um símbolo do amor de Cristo pela humanidade, e anunciem a todos que somente na morte e ressurreição de Cristo podemos encontrar a salvação e a redenção”. A partir de então, a Cruz viaja pelo país que recebe a Jornada e impulsiona a juventude a aceitar o desafio da Igreja Católica. A partir de 2003, um quadro com a imagem de Nossa Senhora acompanha a peregrinação. O ícone de Maria representa a presença constante da Igreja com os jovens. Juntos, ícone e cruz caminham pelas mãos dos jovens.
Para receber, tanto Cruz quanto ícone, a juventude do país prepara uma série de atividades que contextualizem o tema proposto pelo evento. No Brasil, o Setor da Juventude está realizando, desde setembro de 2011 – quando a Cruz começou a peregrinação – o Bote Fé. Música, teatro, dança e oração. Nas Arquidioceses por onde a cruz passa, os jovens preparam diferentes maneiras para aguardá-la. Em Passo Fundo, o Bote Fé ocorreu no domingo e reuniu quase 1500 jovens no Seminário Nossa Senhora Aparecida. Um dia inteiro de expectativa e preparação para que, ao fim da tarde, trazidos de Santo Ângelo, Cruz e ícone adentrassem o Ginásio do Seminário. Jéssica destaca que o momento foi importante para mostrar para a sociedade que o jovem não é tão banalizado quanto se pensa: “É importante que as pessoas vejam que existem jovens que lutam por um futuro melhor que o presente”.
Do Seminário para as mãos dos jovens, nas ruas da cidade. Em procissão, a juventude carregou a cruz até a Catedral Nossa Senhora Aparecida. Lá, movimentos e pastorais pertencentes ao Setor Jovem da Arquidiocese passaram a noite em vigília aos símbolos. Na segunda-feira, a cruz passou pelo Case e pelo Presídio.
Uma mensagem de esperança e um desafio de um futuro diferente e melhor acompanham os símbolos da JMJ. Dois dias motivaram os jovens e a própria cidade para o encontro do ano que vem. Independente da crença, do passado ou do estilo de vida, a Cruz passou pela cidade de Passo Fundo e, por aqui, deixou um traço de história.


