
Mercado estético está em alta e a previsão é que cresça ainda mais.
Que mulher nunca perdeu um dia inteiro no salão? Os homens que tentem entender: cuidados com o corpo e cabelo sempre fizeram parte da rotina delas. O que se nota, porém, é um crescimento cada vez maior na procura por produtos e serviços relacionados ao mercado estético.
Com cerca de 100 mil salões de beleza espalhados por todo o país, o Brasil aparece como terceiro maior consumidor de produtos de beleza do mundo, atrás apenas dos EUA e do Japão. Quem trabalha na área prevê que em quatro anos o país alcance o primeiro lugar. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), o desenvolvimento da indústria, a participação crescente da mulher no mercado de trabalho e a utilização de tecnologia de ponta, com o consequente aumento da produtividade, fizeram esse mercado aumentar cinco vezes, alcançando, em 2011, faturamento de mais de R$ 73 bilhões. Especialistas afirmam que os gastos com xampu, maquiagem e cremes vão dobrar nos próximos anos. Para se ter uma ideia, são mais de 300 novas opções em cremes para o rosto e maquiagem a cada ano.
Mas o que mudou para fazer com esse mercado crescesse tanto? Segundo a coordenadora do curso de Estética e Cosmética da Universidade de Passo Fundo Margarete Rien, a preocupação não é exclusivamente com a beleza. O fato de as pessoas estarem vivendo mais fez com que elas passassem a se preocupar com a saúde. Para Marga, o cuidado com o corpo é , acima de tudo, uma questão de necessidade: “De nada adianta nós termos uma vida longa se o nosso corpo não vai contribuir com a questão do bem-estar e da saúde.”
O mercado, segundo ela, era retraído em relação à formação de profissionais, sem acesso à técnica e a produtos. Hoje, pelo contrário, se percebe facilmente o crescimento e os investimentos que as indústrias promovem: “Tem havido toda uma movimentação para que se melhore esse atendimento nas clínicas de estética e nos salões de beleza”, explica.
E não é só coisa de mulher: o mercado voltado aos homens também cresceu. Segundo a professora, em épocas passadas, o homem já foi mais vaidoso do que a mulher, algo que foi se perdendo com o tempo, enquanto a mulher assumiu um espaço maior. Hoje, a procura masculina pelo mercado estético também está relacionada com a idade. Há alguns anos, um homem com quarenta anos já era considerado fora do mercado de trabalho; atualmente, com 40, as pessoas são ainda muito requisitadas, pela sua experiência e pela sua maturidade, o que provoca a preocupação com a aparência. “O homem hoje não quer ter barriguinha, não quer que apareça o cabelo branco, faz a sua sobrancelha, faz a mãe e o pé – por questões de higiene – e até depilação. São escolhas pessoais e que têm contribuído com o nosso mercado também.”
Os reflexos de um bom momento

Andréia Sanches é um exemplo do sucesso do mercado estético. Dona de um salão de beleza, a estudante de fisioterapia começou com uma sala de massagens e viu – na sobra de espaço e na procura pelos serviços – a oportunidade de transformá-la em um salão de beleza. Segundo a estudante, as pessoas estão se cuidando mais, e o movimento cresce a cada dia, o que ela afirma ser muito bom não apenas para ela: “É bom pra autoestima da pessoa, ela quer se cuidar, quer ficar bonita, quer estar de bem com a vida; então, ela procura esses tratamentos.”
E qual é a principal preocupação de quem procura pelos serviços no salão? Segundo Andréia, as mulheres se preocupam bastante com o corpo, o cabelo e as mãos: “A mão é uma das principais preocupações, porque ela sempre aparece; se você estiver com a mão feia, com uma unha sem esmalte, todo mundo percebe.” Preocupação compartilhada com os homens, que também querem cuidar das unhas e dos cabelos, principalmente quem trabalha com o público. Já os tratamentos para o corpo eles só procuram quando precisam, “…é mais quando eles sentem dor”. Para quem tem interesse e quer se arriscar nesse mercado, a dona do salão incentiva e garante: “É um bom momento para o mercado.”
