E quando o jornalista acaba cercado por vários outros jornalistas na mesma cobertura? E quando é rodeado por várias pessoas querendo contar para os outros a mesma coisa que ele? É da profissão: ser forçado a se destacar na hora de falar das coisas que acontecem por aí.
Como parte das provas de hipismo que Passo Fundo tem sediado nos últimos anos, o FEI Américas Jumping Championship recebeu no dia de seu lançamento, cerca 40 profissionais da área da comunicação de Passo Fundo. O lounge do Centro Hípico e Haras MD foi o local da apresentação da prova, que começa dia no dia18. A ideia da reunião era mostrar a dimensão do evento e de que forma ele irá movimentar a cidade.
Emissoras de rádio e TV e os jornais de Passo Fundo compareceram coletando informações e mostrando o seu nome através do trabalho de seus jornalistas, todos chamados para a divulgação do evento, do esporte e das novidades que serão vistas em breve. “A gente tenta tratar do que é novo, como as informações de datas e as inovações que serão apresentadas esse ano”, conta o editor de esportes do jornal Diário da Manha, Kleiton Vasconcellos. O jornalista já fez a cobertura de outros eventos hípicos de Passo Fundo, e grande parte dos leitores da cidade e da região ficou sabendo de programações, provas e de com o funciona o esporte através de seus textos. “Eu já saio daqui como texto mais ou menos esquematizado, por já conhecer o esporte e por já ter feito outros eventos do gênero”. Segundo Kleiton, quando a cobertura é programada previamente, o diferencial tem que aparecer na hora de se escrever o texto: “Aqui, se são vinte jornalistas, serão vinte visões diferentes sobre o mesmo fato”, comenta o editor.
A editora chefe do jornal O Nacional, Zulmara Colussi, esteve no evento para coletar as informações para seu repórter de esportes. No dia seguinte, aquelas notas que ela tomava no bloquinho seriam usadas para anunciar o evento. “Encarnando o repórter de esportes, eu relataria o evento ressaltando a importância dele como evento internacional, que é a primeira vez que ele aconteceem Passo Fundo, que nós estamos nos consolidando como capital do hipismo, referência no Brasil e para outros países”, conta a editora.
Assessor
O trabalho de reunir a classe jornalista para mostrar e anunciar as novas propostas de grandes grupos ou de alguém importante aparece na forma de uma pessoa: o assessor. Para ir até o evento no haras, cada veículo foi pessoalmente convidado. O jornalista Afonso Gobbi trabalha na empresa de eventos que está organizando o FEI Américas Jumping Championship. Foi ele quem entrou em contato com todos aqueles que estiveram no centro hípico na noite de quarta. “Manter contato com os colegas é mais do que uma forma de trocar ideias e sugerir pautas, é fundamental para o dia a dia do trabalho, pois ele dá suporte para que a assessoria seja efetiva e, de certa forma, eficiente”. Afonso também recepcionava os jornalistas e lhes entregava o press-kit com o material de divulgação do evento.
Além de organizar tudo para os jornalistas, o assessor também produz conteúdo. “Sempre que algum veículo participa de um evento, a responsabilidade por aquilo que nós veiculamos é dobrada, porque o material também tem (muita) chance de ser publicado”, conta o assessor.
Popularização do esporte
O trabalho da imprensa para divulgar o hipismo de Passo Fundo tem servido para criar a cultura e o culto ao esporte. Quando os primeiros eventos hípicos foram sediados aqui, a população ainda não entendia a proposta, se rendendo a um estigma elitista que dizia que o hipismo era para a classe A. O diretor e dono do Centro Hípico e Haras MD, Maurício Dal Agnol, conta que, após os primeiros anos de cobertura da imprensa, a resposta do público mudou. “O retorno que percebemos é que a cada ano está aumentando o número do público”, conta Maurício.
As grandes competições que acontecem no haras sempre vêm acompanhadas de um show nacional e o público acaba seduzido pela atração. Pelo menos até agora, quando as competições têm aparecido como o grande interesse da população, ao invés dos artistas que são trazidos até Passo Fundo. “Lotamos todos os dias, pelo fato de as pessoas quererem assistir ao esporte, sendo que nesses dias não tem show nenhum”. Maurício diz que o hipismo está aparecendo com alternativa e que a visibilidade do esporte é fruto da divulgação que o trabalho dos jornalistas do Brasil inteiro estão dando para Passo Fundo. “O que está sendo feito aqui está contaminando a imprensa do resto do Brasil. Antes não se via a imprensaem eventos. Hojeos programas regionais de esportes das TVs a cabo estão fazendo programas dentro dos eventos”, comenta o diretor do haras.
Existem muitos eventos hípicos no estado que não são divulgados e acabam não ganhando a visibilidade que merecem. Maurício cita o Concurso de Saltos Fronteira da Paz, em Santana do Livramento, que conta com mais de 200 participantes: “É mesma proporção dos nossos eventos nacionais realizados aqui no haras. O que falta é a divulgação”, completa Dal Agnol.


