
Não existem receitas mágicas, fórmulas ou regra, que devam ser seguidas pelos recém-chegados ao mercado de trabalho. Existem sim perspectivas e possibilidades.
Optar por um curso para estudar durante anos é uma tarefa que exige muito do aluno, mas a coisa complica mesmo depois de formado. Normalmente muitos acadêmicos pensam que, após graduados, tudo estará resolvido, ou seja, o emprego estará garantido. Mas não é bem assim; a realidade é completamente diferente, e aquela pergunta que você fazia no ensino médio, ao ficar em dúvida sobre qual curso seguir, volta novamente a atormentá-lo no ensino superior. “Estou formado, e agora?” As dúvidas são constantes tanto durante o curso como depois de graduado. Fazer pós-graduação? Cursar outra faculdade? Ou me dedicar apenas à vida profissional e tirar férias dos estudos? Com o intuito de esclarecer essas dúvidas, o Nexjor criou a série Estou formado, e agora? Você poderá acompanhar entrevistas quinzenais, com alunos formados na Faculdade de Artes e Comunicação, os quais nos contarão como é a rotina de um graduado, as dificuldades encontradas, além de dicas para aqueles que estão terminando sua graduação.
“O que fazer, eis a questão.”
Você deixa de lado aquela vontade de querer mudar o mundo e se torna mais um número na estatística do desemprego. Alguns, às vezes, têm a sorte de já saírem empregados. O que está em pauta não é exatamente a necessidade urgente de um emprego, mas sim você se formar e decidir qual área da sua profissão irá seguir. E esse é, sem dúvida, o primeiro passo que você deve dar depois de formado – e, claro, depois de largar seu currículo em algumas empresas.
Mesmo que você receba o tão esperado canudo, ou diploma, não significa que está pronto para o que irá enfrentar no campo profissional. O aluno recebe instruções, é orientado por professores durante todo o período da formação, mas não conhece ampla e verdadeiramente sua profissão. Portanto, a maior regra que todo mundo deveria seguir é, enquanto estiver estudando, não deixar em momento algum de procurar um estágio. Será nesse ambiente – um pouco mais descontraído e menos rígido – que você aprenderá grande parte do que irá exercer depois de formado. Será no estágio que formará opiniões, descobrirá qual área seguir e agregará muitas experiências.
Formada aos 21 anos em jornalismo, pela Universidade de Passo Fundo em 2012/1, Giordana Pezzini responde para o Nexjor sobre as dificuldades, as dúvidas dos formandos, além de dar dicas de como proceder após formado.
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Nexjor – Quando você concluiu o curso de Jornalismo, a frase “Estou formada, e agora?” teve algum tipo de impacto sobre você?
Não só teve impacto, como também foi a primeira frase que pronunciei no dia seguinte e que ainda está na minha cabeça. Foi um tempo que passou muito rápido, e agora parece difícil me acostumar com essa ideia de já estar formada. Cada dia é um desafio. E agora? Agora é correr atrás, não parar, não desanimar, mesmo sabendo que dias difíceis virão. Era o que eu queria quando comecei há quatro anos, é o que eu quero hoje, formada em jornalismo
Nexjor – Quais as dificuldade que você encontrou após se formar?
Pricipalmente (e acho que é a principal preocupação de quem se forma) encontrar emprego. Você se forma, sai da faculdade com todo o gás, e a única coisa que pensa é em trabalhar na área que escolheu. Por exemplo, eu, que me formei em jornalismo, quero trabalhar, independentemente de ser em rádio, TV, jornal, assessoria… Apesar de ter minhas preferências, acho importante ganhar experiência e aprender um pouco de tudo, ainda mais quando se está no começo.
Nexjor – Agora que a exigência do diploma de jornalismo foi aprovado pelo Senado, você acha que ficou mais fácil encontrar emprego nessa área?
Não. Penso o seguinte: jornalismo se aprende na prática. Posso ter um diploma e não saber nada, assim como posso nunca ter passado perto de uma faculdade e saber muito, apenas com a prática e vivência. Mesmo antes, sem a obrigatoriedade do diploma, empresas “sérias” não abriam mão de um jornalista formado. Empresas que prezam por alguns princípios continuaram a exigir a formação. Mas, apesar de ter essa ideia de que jornalismo se aprende na prática, eu defendo o diploma, porque ,como eu disse, há alguns princípios, uma base essencial, que você percebe na faculdade. Você aprende a ver as coisas com um olhar diferente, mais crítico. Se eu fosse direto para o mercado de trabalho (o que em cidades do interior ainda acontece muito, de ter um jornalista sem formação), com certeza eu não teria a visão e os ideais que tenho hoje. Mesmo com o diploma em mãos, sei que o grande aprendizado ainda está por vir; a faculdade foi só o começo.
Nexjor – Pretende se especializar em determinada área? Ou já tem algum projeto encaminhado?
Quando vou fazer matérias, pricipalmente reportagens, gosto de escrever sobre temas variados, porque isso agrega ao meu conhecimento; é uma oportunidade que se tem de conhecer mais a fundo determinados assuntos (é uma das coisas que mais me agradam na profissão). Mas, claro, sempre tem uma área com que você se identifica mais. Eu, por exemplo, apesar de gostar muito de esporte e cultura, quero me especializar em agronegócio, mas sem perder meu foco, que é a comunicação.
Nexjor – A pressão da família, amigos e até de você mesma para conseguir um emprego ficou maior depois de formada?
Da família não, porque eles sabem o esforço que estou fazendo. Mas eu me cobro muito, todo dia, e essa a cobrança de arrumar emprego não diminui, ela continua para que eu possa evoluir a cada dia.
Nexjor – Acha importante o estágio durante a faculdade? É ele realmente que prepara o acadêmico para o campo profissional?
Acho quase que obrigatório o aluno fazer estágio. No meu caso, praticamente tudo que aprendi foi com estágio, que me permitiu ter contato com as pessoas na rua, em eventos, com colegas de profissão… Como estudante de jornalismo e estagiária, tive oportunidade de fazer coisas, entrevistar e conhecer pessoas que antes nem imaginava que seria possível.
Nexjor – Depois de graduada, o famoso “QI” (quem indica) influencia na hora de encontrar um emprego, de ser contratada?
Em alguns casos, sim. Muitas contratações são feitas somente por indicação. Eu mesma já ouvi a frase “tenho boas referências sobre você”… Nem sempre é justo, mas também significa que você tem boas referências e bons contatos.
Nexjor – Teria algumas dicas para aqueles que irão se formar futuramente?
Não sei se são dicas, mas diria que o básico é: preste o máximo de atenção nas aulas, você sempre vai tirar algo delas, de como fazer e até mesmo de como não fazer; procurar um estágio, quanto antes melhor, porque, enquanto está na faculdade você pode ter o auxílio de professores para esclarecer dúvidas. E arriscar sempre (claro, pondo algumas coisas na balança para ver se vale a pena), porque você não sabe o dia de amanhã. Mas não se deixa uma oportunidade passar, não a oportunidade de pelo menos ter tentado.
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Se você saiu da faculdade com dúvidas sobre o que fazer, está claro que precisa amadurecer a ideia, precisa de um tempo para se autoconhecer e descobrir o que lhe agrada na profissão e o que agrega mais felicidade à sua vida. Depois de feito isso, procure por empresas que supram as demandas da sua carreira, mas não afaste nenhuma possibilidade. Dependendo da sua profissão, pode ser que ela já esteja saturada no mercado de trabalho, mas, mesmo assim, não perca tempo; as empresas procuram cada vez mais por pessoas qualificadas. Procure estudar vários idiomas, faça cursos que tragam boas experiências e que farão diferença no seu currículo. O importante é continuar se atualizando, invista em pós-graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado, etc. Eles farão a maior diferença em seu currículo na hora de uma empresa avaliá-lo, e o aprendizado é permanente.
O sucesso não irá cair do céu, assim como oportunidades e empregos. Deixe de lado a preguiça. Ter talento não é tudo hoje em dia, o insubstituível é a prática. Sempre se pergunte qual cargo pretende ocupar na empresa. Essas simples perguntas facilitarão seu planejamento do futuro. Não deixe de investir naquilo que gosta, pois a dedicação será maior, e assim os lucros virão como retorno de anos de estudo e esforço.
Discurso de Steve Jobs, dirigido aos formandos da Universidade Stanford em 2005.
“Continuem com fome e continuem bobos”
