Não confunda a arte

A arte de rua é toda expressão artística feita no meio urbano. Porém, há implicações quando falamos em graffiti. Quando autorizado, não constitui crime. Do contrário, é pichação e, então, a arte se torna deturpada.

Quem nunca viu paredes de patrimônio público ou privado pintadas? Os desenhos feitos, primordialmente no papel, ganham novas dimensões e cores em muros e paredes. Essas pinturas coloridas, bem trabalhadas, com sombra e luz, são chamadas de graffiti. E os autores dessa arte – ao contrário do que muitos ainda pensam – não são os vândalos e, sim, os grafiteiros.

Eles compram latas de spray, fazem seus projetos – desenhos no papel – e saem pelas ruas, sem apoio ou patrocínio. O que precisam é apenas da autorização dos proprietários para praticar a arte nos muros. Com essa autorização, podem desenhar tranquilamente. Segundo Eduardo Carbonera, aluno de direito e grafiteiro, o que diferencia essa arte da pichação, além dos desenhos mais elaborados, é o local onde praticam; autorizado pela prefeitura, quando público, ou pelo proprietário, quando privado. Ele, afirma: “Em um conceito geral, todo grafiteiro é pichador, mas nem todo pichador é grafiteiro”.

Eduardo Carbonera se interessou por graffiti quando estava na 6ª série. Desde então, pesquisa sobre o assunto e pinta paredes disponíveis para a arte.

A afirmação se explica se os desenhos forem pichados nas paredes pelos grafiteiros. Porém, as pichações feitas por gangues, que, com intuito de impor respeito às demais, escrevem seus nomes em paredes e muros, como também as manifestações feitas por pessoas que protestam contra alguma injustiça – na concepção de quem pichou – ou simplesmente para aborrecer quem lê com xingamentos, estas, não são autorizadas. Nem mesmo são arte; são, na verdade, consideradas atos de vandalismo.

Como consequência dessas atitudes e a fim de punir os responsáveis pela depredação de estabelecimentos, algumas leis foram elaboradas. O site Consultório Jurídico publicou, em maio deste ano, a nova lei sobre a prática de grafite. Segundo a publicação, “a presidente Dilma Rousseff sancionou a Lei 12.408, que descriminaliza o ato de grafitar e trata da proibição de comercialização de tintas em embalagem aerosol para menores de 18 anos”.

[stextbox id=”custom” caption=”“Agora é lei: grafite não é crime”.” float=”true” align=”right” width=”350″]

Confira a lei que diferencia pichação de grafite e fala sobre a compra de tinta em aerosol :

http://www.doladodeca.com.br/2011/05/31/agora-e-lei-grafite-nao-e-crime/

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Para o estudante de publicidade e propaganda, Iuri Flores Ortiz, “nas cidades de interior, a população ainda é muito fechada para a arte urbana, eles acham que a arte está apenas no museu”. E acrescenta: “Por causa dos pichadores, que não pedem autorização e pintam os muros e paredes das casas, sem se importar com as consequências, é que ainda existe essa visão”. Em Passo Fundo, entretanto, a Praça Tochetto é um local autorizado pela prefeitura para a prática do grafite. Lá, as manifestações artísticas são autorizadas para os muros. Locais abandonados também são procurados por esse grupo inquieto, que se vale desse método para praticar e também divulgar seus dons.

Um meio para um fim

Encontrar na arte um meio de lucro não é novidade, porém, se tratando de arte urbana, as possibilidades são quase nulas, mas existem. Embora o graffiti, por si só, não seja uma maneira de ganhar dinheiro, ele proporciona conhecimento artístico e prática, que levam muitos praticantes a uma profissão relacionada ao design. Grafitar, além de proporcionar prazer, pode ser uma forma de se fazer propaganda.

Esboço feito por Iuri Ortiz

Propaganda, aliás, que dá certo, como conta Iuri: “Eu conheço o  Luis Flavio Trampo, de Porto Alegre. Hoje em dia, trabalha com estampas de roupas, cria logomarcas, devido aos desenhos que fez nas ruas. Graças à arte urbana que ele conseguiu esse espaço”.  Mas também lembra que, apesar de esporadicamente, surgem oportunidades, como aconteceu no ano anterior, em uma festa. A marca Chilli Beans contratou o seu grupo, para fazer a divulgação dos produtos na entrada da festa. A atenção de quem chegava foi voltada para eles, que, com latas de spray nas mãos, davam forma aos desenhos grandes e, posteriormente, coloridos.

Eduardo Carbonera explica que, apesar de ainda não ter descoberto como levar adiante o graffiti como profissão, consegue obter algum lucro por meio de oficinas, palestras ou grafite a pedidos. E completa: “Há pessoas que vivem da arte, há quem usufrui dela como terapia e, também, há aquelas que gostam de desenhar e têm vontade de começar a praticar a arte urbana e não sabem como.”

E, para quem não sabe, pode começar desenhando e tentando colocar em prática com algumas latas de spray, mas, se ainda tem dúvidas, pode procurar quem já grafita e pedir algumas dicas, como orienta Iuri: “Tem muita técnica para grafitar, muito recorte. É preciso analisar a textura da parede, lembrar que a tinta escorre, saber das dimensões do desenho desejado, entre muitos outros detalhes”.

Sem limitação ou distinção, qualquer um pode praticar a arte, o que não pode é descriminar uma manifestação por confundi-la com atitudes mal pensadas.

[stextbox id=”custom” caption=”Conheça um grupo de grafiteiros de Passo Fundo e sua arte”]

TAGVILLE CREW

https://www.facebook.com/pages/Tagville-Crew/324143307607401

Gueto – Francisco Gallina
Tiago – Tiago Bacin
Bernardo – Bernardo Schwaab Olivera L
Code – Eduardo Carbonera
Nunez – Jorge Dreher Barcelos
Henry – Gledison Henrique Branco
Bigz – Igor Flores Ortiz
Iugui – Iuri Flores Ortiz

Conheça também outros grafiteiros de Passo Fundo que não pertencem ao grupo:

Muze – Daniel Engelman
Marava – Juliano de Oliveira

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httpv://www.youtube.com/watch?v=LQE4cNzSGFg

httpv://www.youtube.com/watch?v=Ki3CK3EoK0s

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