“Voleibol é tudo na minha vida”

Marcelo Negrão, campeão olímpico em 92, participou do Desafio de Vôlei Banco do Brasil realizado na UPF no último sábado (03)

Sol, areia e uma bola de voleibol: esse foi o cenário esportivo do fim de semana em Passo Fundo. A quadra de areia montada em frente ao Portal das Linguagens, na Universidade de Passo Fundo, foi palco para o último duelo do Desafio de Vôlei Banco do Brasil, colocando em lados opostos da rede nomes consagrados no esporte.

O time azul, formado por Franco (1), Pará (2), Fred (3) e Fábio Luiz (4), representava o vôlei de praia, e venceu por 3 sets a 1 – com parciais de 21/13, 17/21, 21/17 e 21/18 – a equipe amarela, dos atletas da quadra Marcelo Negrão (1), Billy (2), Guto (3) e Oscar (4). Vencedores também nas etapas de São Luis (MA), Teresina (PI), Porto Velho (RO) e Boa Vista (RR), os atletas da praia só perderam em Rio Branco (AC).

Antes do início da partida, o campeão olímpico, Marcelo Negrão, conversou com a nossa equipe e falou sobre o papel do voleibol na sua vida e sobre os momentos mais marcantes da sua carreira.

Nexjor: Qual a importância de eventos como o Desafio de Vôlei Banco do Brasil para os atletas, para o público e para as crianças que querem jogar voleibol?

Marcelo: O importante é divulgar o esporte, o patrocinador. É entreter as pessoas com o ídolo, é a molecada ter a oportunidade de ver um ídolo de perto. É difícil, hoje em dia, a gente conseguir isso. Tanto no vôlei masculino quanto no feminino, o atleta fica muito distante, fica na quadra, o público não tem acesso. Nesse tipo de desafio, não: acabando o jogo, a gente vai atender todo mundo, tira foto, tem uma aproximação maior dos que, de repente, serão os futuros campeões olímpicos.

N: Como foi o seu primeiro contato com uma bola de vôlei?

M: Você não tinha nem nascido. (Risos) Então, isso foi há 30 anos. Comecei a jogar com 10, estou com 40 anos já. E, além disso, eu já praticava outras atividades esportivas. O meu pai era esportista, então eu já tive esse conceito de esporte, né?! Depois, eu comecei a me dedicar mais seriamente, aos 10 anos, para o voleibol. Mas foi cedo, logo desde criança. Acho que todo pai faz isso, desde que o menino nasce, já dá uma bola de presente.

N: Qual é o segredo para manter 30 anos de carreira?

M: Tem que gostar muito do que faz. São muitas superações, muitos momentos difíceis, mas, acima de tudo, tem que gostar do que faz.

N: Se você pudesse definir o vôlei na sua vida em apenas uma palavra, que palavra seria?

M: Tudo. É tudo na minha vida. Se não fosse o vôlei, eu não seria o Marcelo Negrão de hoje, não seria, talvez, uma pessoa realizada profissionalmente. Enfim, é tudo na minha vida.

N: Em 1992, a seleção brasileira de vôlei se tornava campeã nas Olimpíadas de Barcelona. Foi com o seu saque que o Brasil conquistou esse título sobre a Holanda. O que passou na sua cabeça na hora em que você estava se preparando para sacar?

M: Naquele momento ali, é todo o treinamento que foi feito, toda a dedicação. Era o momento que todos esperavam, estava todo mundo pensando: “Ah, ganhamos, mas não acabou ainda”, porque estávamos ganhando, mas o jogo não tinha terminado. Foi, assim, um grito de emoção, de vontade de ser campeão, de ver o que iria acontecer. Naquele momento, ali, foi isso. Eu fui para o saque, dei o máximo e, graças a Deus, entrei para a história. Todo mundo quando fala daquela Olimpíada se lembra daquele saque, né?!

N: Quadra ou areia?

M: São dois esportes totalmente diferentes. A quadra te dá a estabilidade, principalmente financeira, e a areia não te machuca, te dá uma longevidade maior. A areia seria, na minha opinião, o melhor esporte do mundo, se tivesse essa estabilidade financeira que a quadra dá. Então, um é bem diferente do outro, mas os dois como esportes são muito bons de praticar e, bem feitos, são muito bonitos de assistir.

N: Qual foi a maior dificuldade de transitar da quadra pra areia, para fazer essa adaptação?

M: O corpo muda demais, né?! Na quadra, você é um jogador que tá mais acostumado ao impacto, é um jogo um pouco mais cadenciado do que no vôlei de praia. No vôlei de praia você joga de 2 a 3 jogos no mesmo dia, você tem que estar com  o corpo em dia, você não tem substituto, é você e seu parceiro, tem sol, vento e areia. Na quadra não, a bola vem até você; na areia, você vai até a bola.

N: Eu estava olhando o seu site e vi que uma das suas bandas preferidas é o U2. Então, de todos esses anos de carreira, todos os momentos, qual você considera um beautiful day?

M: Ah, sem dúvida aquele momento da Olimpíada. Ali foi um momento histórico, melhor momento da minha carreira. Sem dúvida, aquele dia ali.

N: Se você pudesse escolher alguma coisa no mundo para dar um bloqueio, que coisa seria essa?

M: Acho que as drogas. As drogas estão muito próximas da gente, as drogas metem muito medo. Eu, que sou pai, sinto a proximidade disso aí e não vejo um retorno tão fácil. A gente tem que tomar cuidado com as crianças, mas, enfim, é um risco que a gente corre todo dia. Então, eu gostaria de acabar com as drogas.

 Ouça alguns trechos da entrevista:

Confira a galeria de imagens do Desafio:

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