No dia marcado para simbolizar a preservação da camada de ozônio, o meio ambiente ainda enfrenta o descaso do homem e caminha a passos largos rumo à degradação natural
O Protocolo de Montreal foi um documento assinado por 46 países no dia 16 de setembro de 1987, com o objetivo de extinguir a produção de clorofluorcarbono – também conhecido como CFC-, maior responsável pela destruição da camada de ozônio na estratosfera. Por esse motivo, a Organização das Nações Unidas (ONU) oficializou a data como Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio. Entre os anos de 1988 e 1995, o consumo de CFC foi reduzido em 76% em todo o mundo. No entanto, a comercialização do gás no mercado negro movimenta cerca de 30 mil toneladas por ano.
Presente na estratosfera há cerca de 400 milhões de anos, invisível e dono de um odor característico, o ozônio – altamente oxidante e reativo – é um gás leve, formado por três átomos de oxigênio concentrado (O3), que podem ser facilmente quebrados e transformados em O2. Por meio dessa “quebra”, o ozônio se torna oxigênio comum e perde a propriedade responsável por deter a radiação solar – extremamente nociva ao ser humano. Essa transformação é propiciada, principalmente, por um velho conhecido: o CFC.
O que é o CFC?
O clorofluorcarbono é um composto orgânico de carbono, flúor, cloro e hidrogênio. Conhecido comercialmente pelo nome de freon, ele foi mundialmente desenvolvido na década de 30. Contudo, sua utilização foi intensificada após a 2a Guerra Mundial, quando começou a ser aplicado em eletrodomésticos. Atualmente, o CFC é encontrado, por exemplo, em aparelhos de ar condicionado, chips de computadores, inseticidas, embalagens plásticas e líquidos em forma de sprays.
Com excesso de liberação, o CFC perfura a camada de ozônio – escudo protetor – e permite a entrada de raios ultravioleta que atingem a superfície da Terra. Uma única molécula de clorofluorcarbono pode destruir até cem mil moléculas de ozônio. Os químicos Frank Rowland e Mario Molina – vencedores do prêmio Nobel de Química de 1995 – foram os responsáveis pelas primeiras pesquisas sobre o impacto do CFC na camada de ozônio.
Como se proteger?
Ao contrário do que muitas pessoas pensam, proteger a camada de ozônio está ao alcance de todos. Confira algumas informações importantes para ajudar na proteção da ozonosfera e, consequentemente, na sua proteção:
– Trocar os eletrodomésticos antigos pelos mais modernos, que são mais econômicos e emitem menos gases para a estratosfera. Produtos brasileiros identificados com a palavra clean não contêm clorofluorcarbono (CFC).
– Preferir a temperatura da água menos quente – ou até fria – ao utilizar a lavadora de roupas.
– Fechar as janelas ao usar aparelhos e ar refrigerado ou aquecedores e evitar as temperaturas máximas dos aparelhos.
– Caminhar, andar de bicicleta ou utilizar transporte de massa.
– Reutilizar ou reciclar produtos.
– Plantar árvores.
– Pintar as casas de cores claras nos países quentes e de cores escuras nos países frios.
– Usar protetor solar – no mínimo, fator 15 – sempre que estiver exposto ao sol.
– Cuidar os melhores horários para frequentar a praia: até às dez da manhã e depois das quatro da tarde.
Fonte: IBGE
Consequências para o ser humano
Com a rarefação na camada de ozônio, os raios solares que são nocivos ao homem acabam atingindo a superfície terrestre. Quando uma pessoa se expõe à radiação UV-B por longos períodos, corre o risco de apresentar queimaduras solares na pele, as quais, posteriormente, podem ocasionar o câncer de pele. Segundo a Agência Norte Americana de Proteção Ambiental, 1% de redução da camada de ozônio gera um aumento de 5% no número de pessoas que contraem câncer de pele.
Efeito estufa e o aquecimento global
Conhecido por ser um dos grandes responsáveis pelo aumento da temperatura da Terra, o efeito estufa ocorre quando parte da radiação infravermelha – emitida pela superfície terrestre – é absorvida por determinados gases presentes na atmosfera, fazendo com que o calor fique retido, não sendo libertado para o espaço.
O efeito estufa não é apenas um vilão, muito pelo contrário: é de vital importância, pois serve para manter o planeta aquecido, garantindo a manutenção da vida terrestre. Contudo, a emissão descontrolada de gases poluentes está tornando o aquecimento um verdadeiro pesadelo para os habitantes do planeta azul. A situação é tão preocupante que existem iniciativas para contornar esse problema. O Protocolo de Quioto, por exemplo, objetiva a estabilização da concentração de gases de efeito estufa. Criado e discutido em Quioto, no Japão, em 1997, o protocolo entrou em vigor em 2005, quando foi ratificado por 55% dos países. Já a União Europeia (UE) pretende, até 2050, reduzir entre 60% e 80% as emissões de gases com efeito de estufa.
O aquecimento global é um processo que se caracteriza pelo aumento da temperatura média do ar e dos oceanos, ocasionado, principalmente, pela concentração de gases do efeito estufa na atmosfera – consequência de ações humanas, como a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento. Por meio dos estudos realizados, pesquisadores constataram que a elevação da temperatura terrestre poderá, em um futuro próximo, ocasionar o derretimento das calotas polares e, consequentemente, o aumento do nível dos oceanos.
Para entender um pouquinho melhor, dê uma olhada no infográfico e no programa Globo Ecologia:
httpv://www.youtube.com/watch?v=JFgqgyqfIM0&feature=related
Uma verdade assustadora
Em 2006, o então vice-presidente norte-americano, Al Gore, estrelou um documentário sobre mudanças climáticas. Dirigido por Davis Guggenheim, Uma verdade inconveniente alerta à população sobre os riscos do aquecimento global e as consequências acarretadas pelo descaso com o meio ambiente. Vale a pena conferir:
httpv://www.youtube.com/watch?v=Yh330_gkOsU
