Um jornalismo literário que enfrenta obstáculos de definições, mas comemora seu dia – ou seu marco inicial – com obras primas já feitas
Para comemorar o dia do jornalismo literário, não como criação ou surgimento, porque para chegar ao que chamamos hoje de um gênero do jornalismo passou por uma longa construção, realizamos um apanhado da história, sua aceitação e os altos e baixos pelos quais esse gênero passou e ainda tende a passar.
O jornalismo literário é uma parte especializada do jornalismo em geral ou, podemos dizer, diário. Essa forma de jornalismo teve origem nas redações dos grandes jornais americanos, entre as décadas de 50 e 60. Essa fase do jornalismo foi caracterizada como New Journalism, seus principais nomes são Tom Wolfe, Gay Talese, Norman Mailer e Truman Capote. Uma espécie de romance de não-ficção, misturando a narrativa jornalística e a literária, o primeiro texto do gênero foi escrito por Truman Capote em 1957, “O duque em seus domínios”, um indiscreto perfil de Marlon Brando.
Outro segmento do jornalismo literário é o livro-reportagem, geralmente é escrito a partir de uma cobertura jornalística extensa e que rende muito frutos. Muito além da grande reportagem está o livro-reportagem, uma narrativa literária que compõe o livro, usufruindo da figura de linguagem e de personagens. Escrito de uma forma mais rebuscada, o livro pode trazer detalhes de um acontecimento que as notícias diária não conseguem fornecer, como descrição e contextualização de locais e cenas vistas apenas pelo correspondente/autor.
Jornalismo em quadrinhos
Foi com Joe Sacco que pudemos percorrer os relatos jornalísticos em forma de histórias em quadrinhos. Suas obras mais conhecidas são: Palestina: Uma nação ocupada; Palestina: Da faixa de Gaza e Área de segurança: Gorazde. Sacco recebeu importantes prêmios, e chegou a ser comparado com Art Spiegelman, autor da obra Maus: relato de um sobrevivente, primeiro cómic a receber o Prêmio Pulitzer de Jornalismo (prêmio americano outorgado a pessoas que realizaram trabalhos com excelência nas áreas do jornalismo). Joe Sacco trabalhava a pauta jornalística, que era a guerra, em forma de quadrinhos. Guerra da Bósnia, na Palestina, Faixa de Gaza, foram desenhadas para os leitores.
Euclides da Cunha e o relato jornalístico-literário de Os Sertões
Publicada em 1902 a obra Os Sertões de Euclides da Cunha é um relado da Guerra de Canudos, o autor foi correspondente pelo jornal Ofuxico. O que Euclides da Cunha realizou no início do século passado foi uma epopéia jornalística-literária, mas além de tudo da vida sertaneja. A obra foi construída quase que involuntariamente, um jornalismo literário antes mesmo de ser definido assim.
A partir de formado o conceito de jornalismo literário, por aqui a Revista Realidade fez história com seu material construído com linguagem literária. Criada em 1966 no grupo Abril, primava por reportagens bem produzidas e rebuscadas, inspirada, claro, no recente movimento chamado New Journalism. A liberdade temática e de linguagem nesta área continua atraindo jornalistas e leitores, talvez, em meio a esse jornalismo superficial, a modalidade “literário” prevalece.
Para entender como funciona o Jornalismo Cultura e Literário nos jornais leia a entrevista com Rinaldo Gama, editor de cultura do jornal O Estado de São Paulo, no blog NEXJORNADA.
