Missão cumprida

Ultima missão da Atlantis marca o fim da era dos ônibus espaciais

Foram 30 anos de serviços à humanidade, centenas de missões acima dos céus e incontáveis benefícios e descobertas científicas. Iniciado nos anos 70, o programa de ônibus espaciais da NASA – agência espacial norte-americana – encerrou seu ciclo no dia 21 de julho de 2011 com a aterrissagem da Atlantis. Além dela, às naves Discovery e Endeavour também saem da ativa para entrarem na história da exploração espacial.

Com quatro tripulantes abordo, a missão STS-135 tinha como objetivo primário levar suprimentos para a Estação Espacial Internacional (ISS, em inglês) através do módulo logístico Rafaello. Milhares de pessoas se aglomeraram por toda Cabo Canaveral para assistir ao último lançamento da nave. Duas mil toneladas de ferro e combustível partiram no dia 8 de julho levando como tripulação o comandante Christopher Ferguson, o piloto Dough Hurley e os especialistas de missão Rex Walheim e Sandra Magnus. Conforme os números da NASA, as missões espaciais possuem uma média de sete tripulantes por voo, mas a última equipe a do Atlantis foi diminuída porque não havia outra aeronave disponível no caso de um resgate.

Foram 13 dias no espaço até o pouso no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, às 6h56 pelo horário de Brasília, em um pouso definido pelo centro de comando da missão como tecnicamente perfeito. “Missão cumprida, Houston” foram as primeiras palavras do comandante Ferguson ao chegar a solo firme. “O ônibus espacial mudou a maneira com que vemos o mundo, a maneira com que vemos o universo. Obrigado por nos proteger e por trazer este programa para um fim merecido” completou o astronauta de 49 anos.  Ele também lembrou e agradeceu, em nome da todos a bordo, as outras naves: Endeavour, Discovery, Challenger e Columbia – seus nomes foram inspirados em navios famosos na história da ciência e exploração.

As tragédias

A história dos ônibus espaciais não é feita apenas de sucessos. Duas manchas marcam negativamente o programa norte-americano. Em 1986, a Challenger explodiu 1 minuto e 13 segundos após a decolagem, no dia 24 de janeiro. O relatório oficial da agência espacial americana apontou que uma falha no foguete propulsor direito ocasionou a explosão. Os sete astronautas abordo da missão STS-51L morreram, entre eles a professora Christa McAuliffe, primeira civil a participar de uma missão. Passaram-se dois anos até a retomada dos voos espaciais. A nave Endeavour foi construída para substituir a Challenger.
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Glossário

Ônibus espacial: literalmente seria “lançador espacial” (“space shuttle” em inglês). Único veículo reutilizável que pode transportar carga ao espaço
Foguete: motor de propulsão que se desloca através da explosão – fluxo de gás
Módulo: compartimento que pode servir tanto para tripulação quanto para carga
Espaçonave: veículo tripulado para ser usado fora da atmosfera terrestre

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A tristeza novamente tomou conta do programa espacial 17 anos depois, com a explosão da Columbia na reentrada na Terra, no dia 1º de fevereiro de 2003. A nave já estava sobrevoando o estado do Texas, com 16 minutos faltando para o pouso quando se desintegrou nos céus, matando os sete astronautas a bordo. A Nasa não conseguiu apontar a falha que resultou na explosão. A missão STS-107 ajudou em 58 pesquisas feitas no espaço, sendo uma ação realizada em conjunto da Nasa com as agências espaciais europeias e canadense. Demorou dois anos até que outro ônibus espacial, o Discovery, voltasse ao espaço.

Corte de gastos
Cada voo do ônibus espacial custa cerca de US$ 775 milhões, aproximadamente R$ 1,2 bilhões. Estima-se que ao longo dos 30 anos o governo norte-americano gastou U$ 113,7 bilhões – desconsiderando a inflação – de acordo com o site G1.  A ideia inicial do projeto eram 15 missões por ano, mas o alto custo de cada lançamento e os longos meses de preparação que os antecedem impediu o cronograma inicial.

Ao todo, foram 135 missões realizadas por cinco aeronaves, com dois acidentes fatais (vide box), totalizando mais de 1300 dias em órbita. A tarefa de produzir o novo condutor espacial americano, conforme veiculado no iG, ficará a cargo da iniciativa privada, que deve entregar a nova espaçonave em 2014. Até lá, o único modo de chegar até a ISS será as naves Soyuz, da Rússia, em que cada lançamento custo aproximadamente 50 milhões de dólares (cerca de 75 milhões de reais), com o auxílio dos parceiros internacionais. O foco dos EUA se volta para a construção de um foguete que viabilize uma viagem até um asteroide, e mais futuramente até marte.

As naves aposentadas ficarão expostas para visitação do público em vários locais dos Estados Unidos. A Flórida ficará com a Atlantis, que será exibido no complexo de visitação do Centro Espacial Kennedy. A Discovery irá para o museu Smithsonian, em Washington. Já Los Angeles recebe a Endeavour no Centro de Ciência da Califórnia. Um triunfo da engenharia humana e um símbolo norte-americano da conquista dos céus, os ônibus cumprem suas missões e ganham um lugar cativo na história da exploração espacial.

Infográfico animado: o voo de um ônibus espacial

Infográfico: por dentro da frota dos ônibus espaciais

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