O Vestibular de Inverno 2011 da UPF já está com inscrições abertas. As provas serão realizadas no dia 25 de Junho, às 14 horas, na estrutura multicampi da Universidade de Passo Fundo. Até lá, a equipe do Núcleo Experimental de Jornalismo vai disponibilizar, diariamente, uma série de matérias especiais com indicações bibliográficas referentes ao conteúdo das provas. Hoje, você confere as dicas da Coordenadora do Curso de Letras, Ms. Patrícia Valério, para a prova de Língua Portuguesa.
As funções de linguagem
Roman Jakobson foi o linguista responsável pelo estudo dos elementos envolvidos na comunicação. Segundo ele, são seis elementos: emissor, receptor, mensagem, código, canal e referente. Assim, cada um desses elementos pode receber evidência na proposta enunciativa produzida em dado momento:
a) A função emotiva se caracteriza por um forte investimento na figura do emissor, marcada linguisticamente pelo uso de formas de primeira pessoa (pronomes, verbos, adjetivos subjetivos,…).
b) A função apelativa se marca pelo destaque na figura do receptor, numa clara tentativa de persuadi-lo a assumir determinado comportamento. Por isso, é comum, nos textos caracterizados por esta função, a presença de verbos no imperativo, de pronomes indicativos de segunda pessoa,…
c) A função poética denota um cuidado especial com a mensagem, ou seja, assume grande importância a forma como o conteúdo é veiculado. Por essa razão, há um investimento em arranjos linguísticos, trocadilhos, rimas, combinações inusitadas, como ocorre em textos literários e poéticos.
d) A função metalinguística se caracteriza pelo uso do código para explicar o próprio código, tal qual ocorre com os dicionários, gramáticas,…
e) A função fática tem o intuito de abrir, testar e ou fechar o canal de comunicação. Por isso, é muito comum em sua constituição o uso de marcadores como: né? Bom,…
f) A função referencial põe em destaque o referente, o assunto. Para tanto, usa uma linguagem direta e objetiva, como ocorre na linguagem jornalística, por exemplo.
Marcas enunciativas do texto falado e escrito
Um texto se caracteriza como escrito ou falado não apenas com base em seu meio de produção, mas, principalmente, pelas suas condições de produção. Vamos tentar entender como isso ocorre: quando lemos no Jornal Zero Hora um texto do renomado escritor Luís Fernando Veríssimo, muitas vezes, temos a impressão de estarmos dialogando com ele, embora estejamos distantes fisicamente. Isso ocorre porque se cria no interior do texto um simulacro/uma simulação que o faz se aproximar, pelas suas características, do diálogo. Isso se deve a uma escolha do sujeito que se enuncia no texto. Dizemos então que, apesar de ser um texto escrito, pois foi publicado num jornal impresso, apresenta marcas enunciativas de texto falado.
Bibliografia indicada:
BLIKSTEIN, Izidoro. Técnicas de comunicação escrita. 20.ed. São Paulo: Ática, 200.
DISCINI, Norma. O estilo nos textos: história em quadrinhos, mídia, literatura. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2004
FARACO, Carlos Alberto & TEZZA, Cristovão. Oficina de Texto. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003.
FIORIN, José L.; SAVIOLI, F. P. Lições de texto: leitura e redação. São Paulo: Ática, 2004.
FIORIN, José L.; SAVIOLI, Francisco P. Para entender o texto: leitura e redação. 16.ed. São Paulo: Ática, 2002.
INFANTE, Ulisses. Do texto ao texto: curso prático de leitura e redação. 6. ed. São Paulo: Scipione, 1999.
MARCUSCHI, Luiz A. Da fala para a escrita: atividades de retextualização. São Paulo: Cortez, 2001.
NEVES, Maria H. de M. Gramática de usos do português. São Paulo: Unesp, 2000.
