Pelos olhos de Luz

Fotógrafo, que inicia exposição no Sesc em Passo Fundo, conversa com alunos da UPF sobre suas experiências.

Por Jéssica França e Alessandra Pasinato

A simplicidade de um olhar, o gesto doce de uma criança, a dança, o ritmo, o balançar do corpo, o movimento ou um simples encontro. A cultura se mostra em cada cena, a cada clique eternizando momentos. É assim que Lucas Luz vê o Brasil que ninguém vê, e transmite a beleza da cultura brasileira na simplicidade do povo.

O fotógrafo portoalegrense apaixonado pela cultura e suas mais diversas manifestações, aos 20 anos, viajou durante três meses por oito Estados brasileiros, das regiões Nordeste e Sudeste. A viagem lhe rendeu mais que algumas boas histórias, são lições de vida que possibilitaram sua evolução pessoal e profissional. Foram essas histórias que ele contou aos alunos da faculdade de Artes e Comunicação da UPF. O encontro foi possibilitado pelo Sesc, que promove, este ano, uma exposição com fotografias de Luz

Pelos olhos e pelos cliques de Lucas Luz os acadêmicos puderam conhecer um pouco do trabalho que foi realizado durante a viagem, como conta a aluna Grasiele Tombine, que cursa jornalismo:  “Através das fotos foi possível me aproximar de outras culturas. Inclusive, o que me motiva à trabalhar com jornalismo cultural”.

Das histórias que trouxe na bagagem, uma das que mais marcou o palestrante foi a passagem pela casa de Seu Nelson da Rabeca. Um senhor autodidata que, mesmo surdo, aos 55 anos aprendeu a tocar rabeca. Foi visitando sua casa que Luz comemorou um dos seus aniversários e aprendeu boas lições.

À mostra, a cultura popular

O trabalho de Lucas Luz vai além dos registros fotográficos, realizando, também, gravações em áudio e vídeo das mais diversas manifestações culturais, uma vez que se dedica a pesquisar o universo da cultura popular brasileira, principalmente do congado, coroações de reis negros e do maracatu.

Para Luz a cultura popular brasileira é tão simples que não pode ser explicada: “Posso dizer que o funk carioca é cultura popular, e tem gente que diz que não. Tem gente que diz que tem a vulgarização. Mentira!”; declara ele, afirmando que o funk tem uma vulgarização mais explicita pois hoje esse é o contexto urbano. “Mas tu vai escutar o samba de roda do recôncavo baiano e é sexualidade o tempo inteiro. É cintura, é umbigo, é a bunda. E a bunda é maior herança africana que a gente tem no Brasil”; explica o fotógrafo.

Sobre a cultura popular, o pesquisador diz não há como definí-la em poucas palavras: “O que é cultura popular? Não sei! É aquilo que o povo está fazendo e se manifesta. Que consegue se dedicar e se entregar àquilo. Isso é cultura.”; finaliza.

Fésta

De 17 a 31 de maio os amantes da fotografia e da cultura popular, ou, apenas curiosos, podem curtir sob o olhar de Lucas Luz a exposição Festa que está no quinto andar do SESC Passo Fundo. As imagens se referem aos detalhes das coroações de reis negros durante o colonialismo no Brasil. Mais do que ver fotos o observador vai se aproximar de uma cultura por muitos desconhecida.

Para mais informações sobre os trabalhos de Lucas Luz acesse http://anatomiadosventos.blogspot.com/

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