Entre um acorde e outro…

A pluralidade dos sons, a originalidade e a criatividade têm conquistado cada vez mais acadêmicos em busca de qualificação profissional na Universidade de Passo Fundo

Baqueta, prato, palheta, microfone. Junte esses itens a uma idéia na cabeça, instrumentos musicais e algumas pessoas dispostas a viver e respirar a música e, bingo, está arquitetado o estereótipo de um músico. O desafio de fazer música, no entanto, vai muito além da questão financeira e exige talento, persistência e dedicação.Essas qualidades, assim como a rotina de ensaios, produção e composição, fazem parte do cotidiano dos profissionais da música. Entre um acorde e outro, a criatividade e a originalidade são os diferenciais quando se busca inserção no meio musical, principalmente com o avanço tecnológico que facilitou, e muito, o acesso a novas mídias e a divulgação de novas produções. Simultaneamente ao aparecimento de diversas bandas no cenário musical – e à notoriedade que algumas adquirem – esse avanço possibilita o surgimento de diferentes ritmos e estilos, que já não obedecem às classificações que sustentaram a música durante décadas.

Essa mescla de ritmos e estilos que estão ilustrando o cenário musical pode ser comprovado pelo coordenador do curso de Música da Universidade de Passo Fundo, Gerson Luis Werlang. Segundo ele, a pluralidade dos sons é positiva para os profissionais e a procura pelo curso cresceu bastante nos últimos anos. Atualmente, a UPF conta com mais de 100 acadêmicos na área. Contudo, o foco dos estudantes já não é mais investir em uma banda, mas obter qualificação profissional através da formação musical. De acordo com Werlang, “o mercado de trabalho está em crescimento para os músicos, especialmente aqui na região norte do estado. Com a lei governamental que determina a obrigatoriedade do ensino de música em todas as escolas do país até agosto de 2011, as oportunidades aumentaram bastante. Isso sem falar que os alunos buscam a formação para serem profissionais da música, trabalharem com orquestras, como instrumentistas e essa qualificação é que faz a diferença no mercado de trabalho”.

“A música como válvula de escape”

Durante a entrevista, os integrantes da banda destacaram as influências musicais que possuem e como a paixão por fazer rock’n’roll interfere nas composições

Essa ampliação nas oportunidades citadas por Werlang não impede que alguns jovens continuam cultivando o sonho de ganhar os palcos. Aproveitando essa ascensão virtual da comunicação, especialmente através das redes sociais, conversamos com a banda Corcéu Nublado, que está iniciando a carreira, para compreender melhor os desafios encontrados nessa trajetória. Os integrantes da banda participaram da gravação do programa “Sintonia, Som e Sentido”, produzido pelo Núcleo Experimental de Jornalismo da Agência de Comunicação da UPF. Em uma conversa informal no estúdio, eles falaram sobre composições, histórias de bastidores e a convergência midiática que, simultaneamente, favorece e atrapalha a carreira da banda.

Corcéu Nublado:

Luiz Pedro Sitta Sbeghen – vocalista

Pedro Fortes Teixeira (Barre) – baixista

Jardel Ramos da Silva – baterista

Henrique de Quadros – guitarrista

Nexjor: Como surgiu a idéia de montar uma banda?

Corcéu Nublado: A história da banda começou em 2007. Nós já éramos amigos, mas a banda está com uma nova formação desde o final do ano passado. A partir daí, nós estamos gravando músicas e compondo coisas novas. Apesar dessa mudança, a vontade de fazer rock’n’roll sempre falou mais alto, fazendo com que a banda nunca parasse.

N: As músicas são compostas por vocês mesmos?

CN: Nós temos dois singles lançados e estamos em fase de pré-produção de um novo single que vai ser lançado agora no primeiro cd da banda. Nosso repertório tem músicas próprias, de 8 a 10, mas temos novos projetos. Em todo ensaio sai alguma coisa nova, já que a banda está num processo criativo, com muita originalidade. Nos shows nós tocamos algumas músicas cover também, que são influências nossas.

N: E quais são essas influências?

CN: O principal ainda é o rock gaúcho, como Cascavelletes e TNT, mas também tem os dinossauros, como Beatles, Stones, um rock mais antigo mesmo.

N: A banda tem um tempo curto de atividade. Qual foi a maior dificuldade ao montar a banda e se inserir no mercado de trabalho?

CN: O problema de hoje no mercado, principalmente das bandas underground, é que há bastante competição. Existem muitas bandas surgindo e hoje existe uma facilidade para gravar um single, diferente de anos atrás em que a banda que conseguia gravar uma música sempre estourava. Nós temos um bom tempo de banda, mas ficamos muito tempo parados, o que diminui também a divulgação do nosso trabalho. Outra coisa que vale destacar é que “existe muita mesmice hoje em dia, é difícil se destacar e mostrar um som diferente, algo original”. O maior trunfo da corcéu é isso, apesar das influências, a gente faz o nosso som próprio e é diferente.

N: Como surgiu o nome “Corcéu Nublado”?

CN: Eu (Luiz Pedro) que sou da banda sei de umas quatro histórias diferentes (risos). Quando nós éramos novos ainda, tínhamos 13, 14 anos, nós começamos a tocar juntos e a gente ia no porão da casa do nosso guitarrista e ele tinha um cd escrito “Deus no céu e nós no corcel”. A gente achou legal essa história e o primeiro nome ficou sendo esse. Deveria estar nublado nesse dia, aí ficou “Corcéu Nublado”. Mas é um tanto obscura essa história, existem “n” interpretações.

N: Quem escreve as músicas? Existe algum compositor?

CN: Cada um tem a sua vertente mais específica, eu (Luiz Pedro) faço umas letras um pouco mais complexas e entrego na mão do Pedro. Cada um tem a sua experiência de vida, o seu jeito de ver as coisas, então cada um dá a sua apimentada e dá uma mistura legal. Alguém sempre tem alguma melodia quase pronta na cabeça e cai uma letra ali. Às vezes um pensa em fazer uma música mais lenta e o outro pensa em uma melodia mais rápida. A gente procura chegar com a cabeça aberta no ensaio e todo mundo dá ideia.

N: Então não existe um segmento específico nas letras que vocês abordam?

CN: Não. Claro que a gente não escreve nada muito político. No geral, as letras falam um pouco de nós, são autobiográficas. Existe um pouco da nossa vivência, dos nossos pensamentos e das coisas que enfrentamos. “As pessoas já têm muitos problemas na vida real, não dá pra transmitir isso pra música, ela tem que servir como uma válvula de escape”. Nós encaramos a música assim.

N: Tem alguma história engraçada envolvendo a banda? Alguma fã que tentou agarrar algum dos integrantes?

CN: Histórias engraçadas sempre têm. Uma vez nós estávamos em um hotel, antes de um show, e estavam ali o pessoal da banda e alguns amigos. O andar ficou só com a gente, então tava aquela bagunça. Nós chegamos em um quarto em que a janela era de frente pra rua e nós pensamos em fazer uma foto fazendo de conta que estávamos jogando a tv pela janela, porque toda banda de rock tem que jogar uma TV. Claro que a gente não tinha cacife pra quebrar uma televisão (risos). Então eu (Pedro) peguei a tv, fui na janela e nisso chegou o dono do hotel na porta do quarto e eu com a televisão na janela. Então deu o maior trabalho para explicar pra ele que não era nada daquilo que ele estava pensando.

N: Quais são os meios de comunicação que vocês utilizam para divulgar a banda?

CN: Tudo que for possível. Quando nós fechamos com essa nova formação no fim do ano, nós estamos com tudo novo: e-mail, perfil de orkut, twitter, facebook, myspace. Na internet, no que for possível, lá está a Corcéu Nublado. Pode entrar em contato conosco através do corceunublado@gmail.com ou ligar pra PFT Produtora, (54) 33442661, ou (54) 96694540 e falar com o Pedro. Podem também procurar o nosso perfil no myspace que em breve terá o lançamento do novo sing

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Confira a entrevista abaixo:

  • Confira a entrevista da banda no Sintonia, Som e Sentido – sonorabanda
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