Jornalismo em Pauta

Palestra ministrada pelo Coordenador de Jornalismo da RBS TV, Gerson Cruz, abordou temas como o jornalismo multiplataforma e as exigências do mercado de trabalho para os profissionais da comunicação

O Coordenador de Jornalismo da RBS TV, Gerson Cruz, participou na noite desta segunda-feira de uma palestra em comemoração aos 15 anos do curso de Jornalismo da Universidade de Passo Fundo. Com a presença de acadêmicos, do corpo docente e de jornalistas da RBS TV Passo Fundo, Cruz falou sobre o novo formato do telejornalismo, do perfil profissional exigido pelo mercado e sobre a linguagem utilizada pelo jornalismo interativo, contrastando a credibilidade e a seriedade das informações transmitidas com o tom informal e absorvente mantido por Cruz durante toda a noite.

Formado pela UCS, Cruz iniciou a carreira na RBS TV na sucursal de Santa Cruz do Sul como repórter em 1990. Após atuar em reportagem, tornou-se âncora e editor do telejornal local e, após, trabalhou em Caxias por oito anos. Em 2009 assumiu o cargo de chefe de redação da RBS TV e TV COM em Porto Alegre, após a saída de Raul Costa Jr. Chefia de redação que, para Cruz, foi e continua sendo o maior desafio da sua carreira, pelo desafio representado à tarefa de dar continuidade a um trabalho que é referência no mercado.

Frente à um bom público no auditório do Laboratório Central de Informática da UPF, Gerson Cruz destacou a importância do profissional multimídia na comunicação. “O repórter tem que estar por dentro do assunto, da informação e, principalmente, tem que ter conteúdo. Hoje, quem não tiver conteúdo não trabalha mais em televisão. O profissional que trabalhar em televisão tem que ser bem informado e saber o que está falando. Nós não precisamos mais de um rostinho bonito na televisão ou simplesmente um boneco, nós queremos um jornalista de fato, que tenha informação para passar para o público”.

Defendendo a formação deste tipo de profissional, Cruz desafiou os acadêmicos da universidade, reproduzindo as palavras que ouviu de um professor na pós-graduação. Segundo Cruz, em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo, o jornalista que não ler um metro de livro por ano vai morrer – a leitura ainda é um “fator obrigatório para a formação acadêmica e é uma grande deficiência atualmente”. O perfil de um bom jornalista inclui a fluência em, no mínimo, dois idiomas e a competência para trabalhar com diferentes tipos de mídia – “Não é mais possível pensar o jornalismo em uma única plataforma”. Baseado nisso, para Cruz o grande desafio da televisão é justamente pensar o conteúdo de forma multimídia e lidar, ao mesmo tempo, com a instantaneidade dos fatos.

O estereótipo do “jornalista cinco horas” foi alvo das críticas do coordenador de jornalismo da RBS TV, para quem o jornalista de cinco horas não existe, embora a carga horária seja regulamentada por normas sindicais. O profissional que não for “24 horas” entra para a vala comum e apenas se destacam aqueles que não tiverem essa visão pequena.  “Isso não existe e não é o que se busca. Jornalista é jornalista sempre! Eu vejo muita gente ficando no caminho por pensar desse jeito”, conclui Gerson. Além disso, os estágios foram citados como fatores essenciais para aquisição de experiência profissional e um diferencial para o currículo de quem busca inserção no mercado de trabalho.

Essa inserção pode ser baseada no tripé inovação, criatividade e interatividade. Esses três elementos básicos sustentam o domínio de tecnologias que chegaram como aliadas à produção jornalística. A interatividade permitiu ao telejornalismo utilizar uma linguagem mais abrangente e proporcionou uma proximidade maior com o telespectador. Atender a esse novo perfil televisivo pode ser motivador, como exemplifica a jornalista da RBS TV Passo Fundo, Janice. Segundo ela, saber que existem quase um milhão de telespectadores em 50 cidades esperando a informação é um “desafio muito positivo a ser enfrentado”.

Ao finalizar a palestra, com perguntas do público presente no auditório, Gerson Cruz reafirmou a busca dos veículos de comunicação por profissionais multimídia e que tenham conteúdo. Questionado sobre a aceitação desse novo formato dos telejornais pelo público, Cruz explicou que todas as mudanças geram estranhamentos e algumas críticas, mas que a credibilidade da informação, no caso da RBS TV, não foi questionada. Após o debate, Gerson deixou uma mensagem final para os acadêmicos de jornalismo: “Não deixem de treinar na frente da câmera, porque vocês vão precisar. Estejam preparados para todas as mídias”.

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