A era dos mortos-vivos

Qual seria a melhor atitude a ser tomada caso um apocalipse de zumbis varresse o planeta? Correr para baixo da cama e se esconder? Ficar trancado em um cômodo esperando a morte chegar? Todas as alternativas estão erradas. A opção correta seria encher de balas na cabeça de qualquer zumbi que você encontrar pela frente, ou pelo menos é esta a resposta esperada por alguém que tenha jogado Resident Evil. A série foi criada pelo designer Shinji Mikami e produzida pela Capcom – mesma softhouse de Street Fighter – se tornou no principal game de zumbis do mercado, passando firme pelas décadas até os dias atuais. Chamado de Biohazard no oriente, Resident completou 15 anos de existência no mês de março, precisamente no dia 22.

Tudo começou em 1992, com a gênese do survival horror. O jogo pioneiro do gênero foi Alone in the Dark, produzido pela Infogrames e inspirados nos contos de HP Lovecraft, um dos grandes mestres da literatura de terror. Os cenários eram pré-construídos em 2D, o que facilitava o processamento em tempo real. A sua dinâmica e mecânica de jogo foram as grandes influências de Alone in The Dark para Resident, ou em termos práticos, a tensão constante e onipresente dos monstrengos e a escassez de munição.

Outra inspiração veio de um game do Famicon/NES produzido em 1989. Sweet Home trata sobre um grupo de pessoas que visita o casarão de um pintor, com a intenção de produzir um documentário. Mesmo sendo uma aventura mesclada com RPG, alguns dos elementos in-game de RE foram retirados dele, incluindo até as portas abrindo para disfarçar os loads. Ainda têm as semelhanças óbvias, como o cenário ser uma mansão no meio de floresta e claro, zumbis. Sweet Home ficou restrito ao mercado japonês.

O cinema foi outra grande fonte para a gênese de RE. O terror possui várias vertentes e diretores eternos na sétima arte. Na Itália, os giallos têm como principais representantes Mario Bava, Dario Argento e Lucio Fulci. James Whale nasceu no Reino Unido, mas foi nos Estados Unidos que entrou para história dirigindo Frankenstein, em 1931. O americano John Carpenter deu calafrios no público em Halloween, Voltando para a Europa, na França, temos Jacques Torneur com seus geniais jogos de sombra e luz. Porém, nenhum destes grandes nomes foi tão importante quanto George A. Romero. O diretor de A Noite dos Mortos Vivos praticamente recriou o gênero ‘filmes de zumbis’, dando parâmetros e formando uma mitologia mais sólida sobre os devoradores de cérebros humanos.

"A Noite dos Mortos Vivos", de George A. Romero

Se Romero aperfeiçoou os filmes de zumbis, Resident aperfeiçoou e expandiu o survival horror. Com base em suas obras, o jogo mesclou o clima apocalíptico com a ficção científica – no caso, interligada com a genética, microbiologia e outras áreas da ciência –, gerando uma dimensão bem diferenciada do que se tinha até então nos jogos de terror. Além dos quebra-cabeças criativos e complicados, havia uma trama bem instigante por trás da matança de zumbis. De acordo com matéria publicada no UOL Jogos, a franquia vendeu nada menos que 45 milhões de unidades, sendo Resident Evil 5 o mais vendido entre todos com 5,5 milhões de cópias comercializadas.

A história de Resident Evil começou em 1996, com o lançamento de Biohazard para Playstation no Japão. Várias mortes sem explicações ocorrida nos arredores de uma luxuosa mansão em Raccoon City intrigam o departamento de polícia do local. O jogo trazia uma mistura de ação com terror e suspense, levando o gênero survival horror para os holofotes do mundo dos games. A violência gráfica saltava aos olhos dos jogadores, sendo um plus no geral. Sangue, líquidos gosmentos, entranhas e mutações genéticas eram retratadas com veracidade, apesar das limitações de hardware do bom e velho PSX. Além dos sustos que aconteciam regularmente, a dificuldade do jogo também era um atrativo – malditos tubarões mutantes!

A revolução aconteceria em Resident Evil 2 (PSX), em 1998. Gráficos e jogabilidade aperfeiçoados, somados a uma trama mais profunda que se liga com os fatos do primeiro episódio, RE2 ainda é considerado por muitos como o melhor capítulo da série. Dois dos principais personagens de toda série são apresentados neste capítulo, Claire Redfield e Leon Kennedy. Na época, outro fator chamava bastante a atenção: RE2 vinha em dois CDs, um para cada personagem. RE se manteve exclusivo no Playstation até o terceiro episódio, RE 3 Nemesis, e depois migrou para o Dreamcast com RE Code Veronica. Hoje em dia, a série é multiplataforma – incluindo celulares, iPhones e similares – e possui inúmeros spin-offs, prequels e até FPSs.

De uma forma sucinta, Resident fez e continua fazendo história nos videogames. Diferentemente de um zumbi, a melhor notícia é que a franquia ainda tem material para muitos mais anos de vida. Nesta semana foi divulgado um teaser trailer de RE: Operation Raccoon City, que será lançado para PC, Xbox 360 e PS3, além de um trailer com gameplay de RE Mercenaries 3D, para o portátil Nintendo 3DS. Operation Raccon City não tem data de lançamento confirmada, já Mercenaries 3D deve chegar ainda este ano, a não ser que milhares de zumbis tomem conta do mundo.

httpv://www.youtube.com/watch?v=h1eXxv26n1E

httpv://www.youtube.com/watch?v=Ch36OOT_its

httpv://www.youtube.com/watch?v=6pyjiFOsrno

Trailer comemorativo dos 15 anos da franquia, com os lançamentos programados para os próximos meses.
httpv://www.youtube.com/watch?v=famRPZcP2M4

Os jogos em ordem cronológica:
[singlepic id=205 w=320 h=240 float=]

Fonte: Uol Jogos, Revil, Wikipedia, Video Games Death
Rolar para cima