Os mestres da guerra moderna

Tudo pode se resolver numa fração de segundos. Nesse breve espaço de tempo, uma bala pode voar quilômetros de distância até acertar seu alvo. Entre esses milésimos e centésimos, pode-se decidir a vida ou a morte de uma ou milhares de pessoas, pode-se mudar o curso da história e até definir o vencedor de uma guerra. Aliás, parece que é assim, numa fração de segundos, que Call of Duty: Modern Warfare 2 ultrapassa todos os jogos de guerra e FPS’s que existiram até hoje.

Uma coisa é inegável: MW2 foi uma evolução monstruosa no gênero FPS – first-person shooter, literalmente tiro em primeira pessoa – em praticamente todas as estâncias. A plataforma da Microsoft ainda tem Halo, disparada a melhor jogabilidade no gênero, mas desde Black (PS2) não se via um shooter de tamanha qualidade em um console da Sony. A migração para um combate ambientado nos dias atuais fez muito bem a franquia Call of Duty. A concorrência era maior nos jogos de Segunda Guerra Mundial e o mercado já estava saturado do tema, os jogadores clamavam por uma inovação. O impacto e o sucesso de MW2 foi tanto que até a tradicional série Medal of Honor lançara no final do ano seu primeiro episódio fora da segunda guerra mundial.

O jogo acontece anos após seu predecessor, Call of Duty 4, quando os ultranacionalistas tomam o poder na Rússia. Inimigo já conhecido, Makarov assola a Europa com uma série de ataques terroristas. Aqui um parêntese: a sangrenta fase “No Russian”, que o jogador pode escolher se deseja jogar e participar de um ataque terrorista num aeroporto. Proibida em alguns países, a polêmica saiu pela culatra e serviu apenas para deixar os fãs mais atiçados para jogá-la. Enquanto o grupo Task Force 141 se encarrega de caçar e aniquilar Makarov, uma tropa de Rangers defende o solo americano de uma iminente invasão russa. A trama de MW2 ganhou um teor cinematográfico, o enredo é interessante e prende o jogador até o final.

Talvez o principal ponto positivo do jogo seja sua evolução. A melhoria desde CoD 4 – que já era um excelente jogo – é muito gritante, Os gráficos chegam a encher os olhos de tanta perfeição, seja na retratação dos cenários até os efeitos de luz nas explosões. A dublagem dos movimentos corporais está ótima, os inimigos agem de uma maneira natural e convincente. A parte sonora também merece um destaque especial: a dublagem de vozes ficou no ponto, efeitos sonoros seriam sérios candidatos ao Oscar e a trilha orquestrada ganha um tom dramático na hora certa.

No final de 2010, precisamente em novembro, será lançado um novo episódio, Call of Duty: Black Ops, mas é difícil saber o que esperar. O nível alcançado em MW2, eleito em várias revistas e sites especializados ao redor do mundo como o melhor jogo muliplataforma de 2009, não deixa muita margem de expectativa para um próximo capítulo. Até lá, o negócio é continuar jogando MW2 excessivamente. Quem sabe, numa fração de segundos, isso tudo muda novamente. Alguém duvida?

CALL OF DUTY: MODERN WARFARE 2
PC, X360 E PS3

[xrr rating= 5/5]

– PRÓS
Muito superior ao predecessor
Final aberto para continuação

– CONTRAS
Poucas e curtas fases
A vontade de se alistar logo após desligar o jogo

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